sábado, 28 de fevereiro de 2009

O morto não se defendeu


O mercado não se sacia nunca. Ele exerce a sua opressão e seu desejo de domínio não tem limites. Também não admite ninguém fora das suas garras. Quando encontra alguém fora do seu domínio, ele vai cercando o território com suas leis até sua vítima não ter mais para onde fugir e aí a suga mais e mais. Dá, dá é o seu lema.
Por trás de toda campanha que visa, aparentemente, o bem estar e a segurança coletiva, estão os interesses econômicos. Isto inclui reportagens pagas pelas empresas interessadas.
O mercado agora avistou mais uma vítima que não estava sob o seu controle total. São os motociclistas.
Apesar de já ter os motociclistas (veículo de quem tem pouco dinheiro, quem tem compra carro) debaixo do seu jugo com a cobrança de IPVA, Seguro (caríssimo se comparado ao valor do veículo), Licenciamento e mais taxas e correrias para sustentar aquela máfia que vive do setor, agora, em nome da segurança de trânsito, as exigências estão maiores.
É que o mercado descobriu que as algemas dos motociclistas ainda não estavam bem apertadas. Descobriu que motociclista não é escravo do transporte coletivo e nem da Petrobrás. "Estava muito barato para eles rodarem para lá e para cá e ainda não sofrerem com o congestionamento. Quem quer ter tamanha liberdade e autonomia deve pagar caro".
Então o mercado encomendou reportagens, numa campanha velada contra os motociclistas, para justificar o espólio.
Em nome da segurança do trânsito pagou matérias para levar a opinião pública a pressionar as autoridades, dizendo que o número de acidentes de trânsito envolvendo motos aumentara consideravelmente (na verdade, o índice continua o mesmo; o número de acidentes aumentou porque o numero de motos também aumentou).
A mídia constantemente exibe filmagens de algum engraçadinho fazendo gracinhas em uma moto, tentando sensibilizar e convencer a população e as autoridades de que os motociclistas são irresponsáveis e imprudentes (o que não é verdade: a grande maioria deste tipo de acidente acontece porque neste país há um desrespeito aberto aos motociclistas - o maior detona o menor). Os motoristas de veículos maiores não são ensinados a conviverem com as motos no trânsito. 
Nos inquéritos de acidentes de trânsito, geralmente o motoqueiro não pode se defender, nem contar a sua versão, nem contradizer a outra parte pois ele geralmente morre no acidente.É mais fácil dar a culpa da imprudência para o morto.
Já chegaram até a falar em proibir as motos de circular no corredor entre os carros - ridículo - quer aumentar os congestionamentos? Moto foi feita para isso. Moto não é carro para ficar ocupando o espaço de um.
A implicância e as exigências sobre os motociclistas estão sendo vergonhosas.
Eles não sabem mais o que fazer para arrancar o dinheiro do povo deste país.
Vocês querem acabar com a gente? Pois não vão, não. A gente se prolifera, bicho.

Veja o vídeo: MOTOBOY

Um comentário:

Teo disse...

Muito bom! Entendo muito bem disso como motociclista (forçado pelas circunstâncias) que sou.