sábado, 27 de junho de 2009

Da total inabilidade humana


Por Robert Murray McCheyne (*)
Quão surpreendente é a depravação do homem natural! As Escrituras nos ensinam isso abundantemente. Todo pastor fiel levanta a sua voz como uma trombeta, para mostrar isto às pessoas. E a primeira obra do Espírito Santo, no coração, é convencer do pecado.

Na Palavra de Deus, não existe uma descoberta mais terrível sobre a depravação do homem natural do que estas palavras do evangelho de João. Davi afirmou: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Deus falou por meio do profeta Isaías (48.8): “Eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno”. E Paulo disse: “Éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3). Mas nesta passagem de João somos informados de que a incapacidade do homem natural e sua aversão por Cristo são tão grandes, que não podem ser vencidas por qualquer outro poder, exceto o poder de Deus. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44).

Oh! que cegueira, dureza de coração, morte espiritual e impiedade desesperadora existem na pessoa não-convertida! Nada pode mudá-la, exceto a graça do Todo-Poderoso. Oh! homem destituído da graça de Deus, seus amigos o advertem, os pastores clamam em voz alta, a Bíblia toda o exorta. Cristo, com todos os seus benefícios, é colocado diante de você. Todavia, a menos que o Espírito Santo seja derramado em seu coração, você permanecerá um inimigo da cruz de Cristo e destruidor de sua própria alma. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer.”

Quão invencível é a graça de Jeová! Nenhuma criatura tem o poder de atrair o homem a Cristo. Exibições, evidências miraculosas, ameaças, inovações são usadas em vão. Somente Jeová pode trazer a alma a Cristo. Ele derrama seu Espírito com a Palavra, e a alma sente-se alegre e poderosamente inclinada a vir a Jesus. Considere um exemplo:

“Um judeu estava assentado na coletoria, próxima à porta de Cafarnaum. Sua testa estava enrugada com as marcas da cobiça, e seus olhos invejosos exibiam a astúcia de um publicano. Provavelmente, ele ouvira falar de Jesus; talvez O ouvira pregando nas praias do mar da Galiléia. Mas seu coração mundano ainda permanecia inalterado, visto que ele continuava em seu negócio ímpio, assentado na coletoria. O Salvador passou por ali e, quando olhou para o atarefado Levi, disse-lhe: Segue- me! Jesus não disse mais nada. Não usou qualquer argumento, nenhuma ameaça, nenhuma promessa. Mas o Deus de toda graça soprou no coração do publicano, e este se tornou disposto. Ele se levantou e o seguiu (Mt 9.9). Agradou a Deus, que opera todas as coisas de acordo com o conselho da sua vontade, dar a Mateus um vislumbre salvador da excelência de Jesus; a graça caiu do céu no coração de Mateus e o transformou!”

Frequentemente, somos tentados a pensar que tem de haver algum argumento profundo e lógico, para trazer as pessoas a Cristo. Na maioria das vezes, colocamos nossa confiança em palavras altissonantes. No entanto, a simples exposição de Cristo aplicada ao coração pelo Espírito Santo vivifica, ilumina e salva.

Aprendamos a tributar todo o louvor e glória de nossa salvação à graça soberana, eficaz e gratuita de Jeová.

Fonte: Sola Scriptura [via
Púlpito Cristão]]

Um comentário:

Mayalu Moreira Felix disse...

Olá, pastor,

É verdade! O cristianismo de hoje, muitas vezes, aposta em um comportamento "camarada" com a depravação e o pecado, para ver se assim os crentes não são vistos como seres de outro planeta... É só ver a apresentação da entrevista do Julio Severo no site da revista Cristianismo Hoje para que tenhamos uma ideia mais exata de como muitos cristãos contemporizam com questões graves relativas à depravação e condenam os que clamam pela santidade, nessa área.

O cristão de hoje espera constantemente pela aceitação do mundo, a fim de que suas ideias pareçam modernas, e por isso se prostitui, em seus princípios, e se esquece de quem é Deus, de como é seu caráter. Deus ama, mas não se faz cúmplice da imundície humana, fruto da escolha do homem, pois é dado a ele a oportunidade de se arrepender, de voltar atrás, de mudar de vida, de nascer de novo, e ele, constantemente, tem rejeitado a mão estendida de Deus. Os cristãos, muitas vezes, contemporizam com o pecado, e alegremente fazem parte do sistema do mundo porque não se livraram totalmente de sua sedução, e desejam justificar suas fraquezas, sua falta de compromisso, sua pusilanimidade e seu desapego a Deus fazendo da imoralidade e de toda sorte de depravações algo "menor" como pecado e daqueles que clamam contra isso os "verdadeiros pecadores", posto que "julgam".

Um abraço,

Maya