quinta-feira, 21 de maio de 2009

O divino prazer de religar


Uma das maiores belezas do cristianismo é a ciência de que a iniciativa da salvação é exclusiva por parte de Deus. Não há como negar o quão diferente é o cristianismo: Ao invés do homem buscar a Deus, Deus veio em busca do homem em forma de homem.

Mas pelo que lemos na Bíblia, principalmente no Antigo Testamento, Deus sempre exercitou o religare (ligar novamente). Não de uma forma imbecil e insana, como um louco apaixonado e desequilibrado, mas como um ser totalmente consciente e num estado de equilíbrio incomum para aqueles que lutam por ter a pessoa amada ao seu lado. Deus não é daqueles que saem mentindo ou omitindo em favor da pessoa amada; ele é um romântico capaz de valer-se das últimas forças – quando preciso -, a fim de restabelecer o laço de amor criado por si mesmo com sua querida nação – até mesmo com sua criação principal: o homem -, mesmo que este seja quebrado por ela.

Nas linhas proféticas de Oséias acompanhamos um romance encantador, pois mesmo depois de traído, o profeta (Deus) vai à busca de sua amada (Israel) sem medir esforços, sem calcular perdas.

Diferentemente do que teologizam alguns, Deus não perde tempo com o pecado – condena-o, mas não o acolhe -; a grande aventura do Altíssimo – retratada em Oséias – revela um Deus 'avesso do avesso', totalmente diferente do sanguinário-fascinora-inquisidor apresentado por alguns em suas vãs teologias.

O Deus apresentado em Oséias é encantador. Não que seja apenas em Oséias, mas por Oséias retratar e encarnar uma
história de amor onde as traições são por parte da mulher, porém a luta de quem ama para restituir o relacionamento é ampla e desmedida – homens são mais difíceis de perdoar. Assim, temos que reconhecer que a encarnação do Altíssimo, ou seja, o Cristo, nada mais é do que o resultado de um processo que se iniciou no Éden.

Diferentemente de muitos românticos, Deus esclarece à Israel que esta colheria o que por ela fora plantada, porém, como uma 'jura de amor', o Senhor lhe promete um dia em que não haverá separação:

Pois os israelitas viverão muitos dias sem rei e sem líder, sem sacrifício
e sem colunas sagradas, sem colete sacerdotal e sem ídolos de família. Depois
disso os israelitas voltarão e buscarão o Senhor, o seu Deus, e Davi, seu rei.
Virão tremendo atrás do Senhor e das suas bênçãos, nos últimos dias. (Oséias 3:4,5)

O belo de toda essa relação é que o amor desse romântico transcende à sua relação com Israel a ponto de reconciliar o mundo consigo através do Verbo, do
Filho, do Cristo, enfim, de Si mesmo.

Portanto, o
religare é o grande prazer de Deus em toda a narrativa bíblica - e até hoje; o grande deleite da divindade revelada em Oséias e concretizada em Jesus é valer-se da prerrogativa que só ela possui, isto é, tomar sua criação pelas mãos – através da cruz - e devolvê-la ao seu verdadeiro lugar: Nele mesmo, no próprio Deus.

Em Cristo, o religare de Deus,


Will

(Baseado no capítulo 3 do livro de Oséias) - Fonte:
Celebrai

2 comentários:

Wagner disse...

Como um espírita, eu parabenizo o texto do Will. Também idealizamos Deus como um Ser que é a expressão máxima do perdão, portanto, alguém em quem devemos confiar.

Um abraço.

Wagner Pereira
twitter.com/wpereiratecno

Willcomjc disse...

Sinto-me privilegiado por ser um agraciado em Cristo, através da cruz; mas neste momento me sinto privilegiado e honrado por ter um texto publicado neste blog, afinal, o pastor que o possui é um grande homem de Deus.
Glórias a Deus, somente a Deus por ter conseguido expressar com tamanha delicadeza o seu prazer em religar, devo isso ao Espírito Santo.

Obrigado pastor, pelo prestígio! Bjo no coração!