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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O PASTOR DO SÉCULO XXI



Qual a função do pastor no século XXI? O que deve se esperar de um ministro do evangelho em tempos de pós-modernismo? A resposta é simples! A mesma coisa que se esperaria no I século. Mas que função é essa? Para alcançarmos o pensamento apostólico acerca do que é trabalho pastoral, precisamos viajar até os versos 11 e 12 do capítulo 4 de efésios.
Lá o apóstolo diz que Deus deu ministérios diversos aos homens dentre eles o de pastor-mestre. A função desse ministério é aperfeiçoar os santos para o serviço do Reino e para edificação do corpo de Cristo. Sinceramente não existe coisa mais bela do que ajudar as pessoas a alcançar seus sonhos, principalmente quando se trata da área espiritual, quando se trata de estar no centro da vontade de Deus. A obra do pastor, é treinar as pessoas para servir, mas também é ministrar cura a alma das mesmas. Ele é um facilitador e não um guru.
O grande problema é que hoje 80% do trabalho pastoral é constituído de encontros para apagar incêndios, uma correria louca onde você é absorvido ao extremo atendendo pessoas que já tem algum tempo de caminhada. Os novos convertidos, não carregam os ranços nem as mazelas de denominações, não andam conforme a política igrejeira, mas vivem o primeiro amor! O pastor virou empregado da igreja, ele tem obrigação de resolver tudo que diz respeito à igreja, ele precisa saber do que se passa em cada canto e tudo isso sem ao menos receber uma dica. Não sou superpastor, nem quero ser, isso é papel para gente que tem megalomania, que é louco e que não entendeu o evangelho.
Gente que dia e noite pretende dominar o mundo adquirindo terrenos de 4 milhões de reais para realização do “seu sonho” e que anda em carros importados caríssimos enquanto a comunidade que pastoreia chafurda no escorregadio lodo da miséria e mendiga a benção do “megapastor” no culto da vitória. Chega disso...Se Paulo estivesse vivo entregaria o corpo desses ao diabo para ver se a alma se salva, assim como fez com Alexandre, o latoeiro e Himemeu por muito menos que isso. Mas mesmo assim, esses homens não sairão ilesos do que andam fazendo, trocaram o ministério pastoral pela vida abastada, comem a gordura das ovelhas e vestem-se com a lã de forma que o próprio Deus vai pedir contas do que fizeram com tamanha responsabilidade.
Para concluir, ser pastor no século XXI não é viver o ministério da abastança, do gasto fácil, das grandes festas, dos constantes movimentos de pseudo-avivamento. Mas é composto de muito choro e pouco riso, de muita luta e pouco descanso, é fogo cruzado sem trincheiras para se esquivar é ter sempre o suficiente para não cair em tentação e sempre dividir ao invés de acumular... essa é a matemática do reino...Que Deus tenha misericórdia de nós!

Saudações reformadas!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vida de pastor


Um grupo de crentes procurou o pastor de uma outra igreja, numa cidade vizinha, e perguntou-lhe:
- Pastor, estamos tentando achar um jeito diplomático de dispensar o nosso pastor... O senhor tem alguma sugestão de como podemos fazer isso sem sermos indelicados com ele?

- Mas, por que vocês querem se livrar dele?
- É que a nossa igreja está estagnada e infeliz. O nosso pastor não tem visão nem liderança, não sabe pregar e não é um homem de oração.

Após refletir uns instantes, o pastor aconselhou-os a agir da seguinte maneira:
a) Cada vez que ele pregar, recitem para ele os pontos do sermão, na saída do culto. Isso vai obrigá-lo a se preparar cada vez mais, pois agora ele sabe que vocês estão acompanhado atentamente as suas mensagens.
b) Cada vez que ele trouxer uma nova idéia, dêem a ele todo o apoio de que a sua idéia precisa para dar certo. E faça isso com entusiasmo. Em breve a sua visão vai se abrir, pois agora ele sabe que pode "sonhar", pois tem o apoio entusiástico da igreja.
c) Reunam um bom grupo de irmãos e comecem a orar por ele. Em breve ele vai estar orando com vocês e por vocês.
- Logo, logo, assim que ele estiver pregando melhor, tiver adquirido ampla visão de ministério e vida de oração, uma grande igreja o convidará e tirará ele de vocês.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O pastor subversivo

Poucos têm compreendido o ministério pastoral com mais clareza que Eugene H. Peterson, professor de teologia espiritual no Regent College, em Vancouver, no Canadá, por mais de três décadas. Kevin A. Miller, editor de Leadership (Liderança) – uma publicação irmã da Christianity Today, de onde este material foi retirado –, conversou com o professor e autor de vários livros sobre os seguintes assuntos:

A responsabilidade primordial do pastor - Meu trabalho como pastor é chamar as pessoas ao arrependimento, a negarem a si mesmas, pegarem a sua cruz e seguirem a Jesus. Se eu substituo “Arrependam-se” por “Como eu posso lhe ajudar a colocar sua vida em ordem?”, eu estou me distanciando do Evangelho. Se eu subtraio a parte do “seguir” e digo “Vamos descobrir como você pode viver melhor a sua vida definindo-a da maneira que você desejar”, quem precisa de Jesus? Algumas vezes eu me sinto como alguém que circula por Times Square, em Nova York, carregando um cartaz que diz: arrependam-se! Faz 35 anos que sou pastor e não acredito nem um pouco que as pessoas sejam capazes de definir para si mesmas o que necessitam. Nós não nos conhecemos. Nós precisamos de Deus para nos dizer o que necessitamos. A coisa mais importante que um pastor pode fazer é levantar-se diante da congregação todos os domingos e dizer do púlpito: “vamos adorar a Deus”. Se isto deixa de ser a tarefa primordial que eu executo em termos da aplicação de minha energia, imaginação e do modo como eu estruturo minha vida, então eu já não funciono como pastor. Nosso trabalho fundamental é formar santos.

Problemas - Os pastores de hoje enfrentam mais problemas do que os pastores de gerações anteriores? Eu sei que esta é uma geração confusa, difícil, e ferida. Mas é possível que a principal diferença hoje não seja o quanto as pessoas estão machucadas, mas o quanto elas têm a expectativa de serem aliviadas de suas dores. O século passado conheceu tanto sofrimento quanto o nosso tempo conhece – a rigor, bem mais do que conhecemos hoje. Pense apenas em todas as enfermidades, mortes de crianças, pragas. A grande diferença hoje é que temos esta mentalidade de que, quando algo está errado, pode-se consertar. Você não precisa conviver com nenhum desconforto ou frustração em sua vida. E o pastor está na linha de frente daqueles que são abordados com a solicitação: “Faça-me feliz. Faça com que me sinta bem”.

Pessoas e programas - O Evangelho é experienciável. Não importa a qual a situação da pessoa; como pastor, você diz: “Esta pessoa pode experimentar o Evangelho aqui”. Isto, contudo, envolve dar atenção às pessoas – que é a maneira mais ineficiente de se fazer qualquer coisa. É chato, e quando você faz isto, você sente estar desperdiçando tempo. Afinal, existem comitês para os quais é preciso correr e orçamentos que necessitam ser equilibrados. O que então deixamos de lado para cumprir com todas estas obrigações? Ouvir as pessoas e vê-las em suas singularidades sem esperar nada delas. Deixamos de lado justamente o essencial. Pois quando você deixa de prestar atenção, as pessoas são categorizadas e recrutadas. 
A fim de criar tempo para as pessoas, de que os pastores têm de abrir mão? Eficiência. Controle. Resultados rápidos. A satisfação de agradar os outros. Estas coisas são, na realidade, terríveis, e abdicar delas resulta numa liberdade maravilhosa. Não existe nada mais satisfatório do que ser alguém que proclama o Evangelho, alguém que está ali para orar. Quando você faz isto, você se sente parte de algo original e criativo na vida das pessoas. Você assiste a ressurreição de vidas. Mas você não pode produzir esta ressurreição, pois ela nunca acontece quando você pensa que ela deveria acontecer. 

Sociedade - Esta cultura é uma cultura maligna. Através da mídia, dos amigos, das conversas, nós somos constantemente alimentados com mentiras. E, como a maioria das mentiras é 90% de uma verdade, engolimos as mentiras sem maiores dificuldades. Assim, a verdade do Evangelho vai sendo sutilmente enfraquecida. Você pensa que está pregando o Evangelho, mas não está. E você nem mesmo tem consciência disto. O trabalho do pastor é orar e estudar a Palavra. As pessoas na congregação estão ocupadas em seus empregos, lendo seus jornais, e participando de suas conferências. Como pastor eu preciso estar alerta em relação à minha cultura, de modo a evitar que minha congregação seja seduzida por ela. Se eu não fizer este trabalho, ninguém o fará.

O ritmo do ministério - É estranho: nós vivemos neste assim chamado tempo pós-moderno, e, no entanto, muito da imagem pública da igreja ainda tem a ver com este modelo racional, baseado no gerenciamento eficiente. Se os pós-modernistas estão certos, este modelo é ultrapassado; ele já não funciona mais. Neste sentido, sinto-me confortavelmente pós-moderno. Pois acredito que pastores precisam cultivar o hábito da “desocupação”. Meu pai era açougueiro. Quando ele entregava carne num restaurante, sentava-se ao balcão, saboreava uma xícara de café, e gastava ali algum tempo. Mas aquele tempo era fundamental para construir relacionamentos, para fazer negócio. Alguns pastores não andam à toa pelas ruas, não desperdiçam tempo. Seu tempo é muito precioso. Eles correm para a tumba, e ela está vazia; então eles correm de volta para seus escritórios. Eles nunca vêem a ressurreição. Para se desocupar, o pastor precisa desvencilhar-se dos egos (o próprio e o de outras pessoas) e começar a lidar com almas. 

Oração - Eu quero ir além da idéia de que oração é uma atividade solitária do tipo faça-você-mesmo. Tenho tentado compreender a magnitude da oração, o mistério da igreja em oração. De alguma maneira, eu quero descobrir como as pessoas podem desconectar-se um pouco da correria de nossa cultura e engajar-se na prática do silêncio e da solitude. Estou disposto a trabalhar com pessoas visando descobrir como fazer isto, mas este é um trabalho lento. A maior parte do trabalho pastoral é trabalho lento. Não se trata de um programa que você organiza e faz acontecer. O trabalho pastoral é uma vida. É uma vida de oração.