Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Presença e não livramento!


Os anos me ensinaram que um bom processo de aprendizagem envolve não apenas a reflexão, mas também repetição. A mera reflexão sobre algo, não significa o seu aprendizado.  A repetição sem reflexão, apenas  faz-nos máquinas estúpidas de decorar informações. Pois bem, depois de refletir, sugiro que repitamos tanto quanto necessário for, as seguintes afirmações:
  • A fé em Deus e a relação com ele, não é garantia de privilégio contra as vicissitudes da existência. Andar com Deus não é um passaporte para a imunidade de dores e sofrimento. Portanto, quando coisas ruins não esperadas começarem a acontecer, por mais trágicas que sejam, não se pergunte: por que eu?;  levando em consideração que sua fé não faz de você um privilegiado, aprenda a se perguntar: porque não comigo? Vacine-se contra o pensamento escondido no inconsciente, de que sua relação com Deus o coloca debaixo da obrigação de fazer da sua vida um exemplo de paz, saúde, prosperidade e felicidade.
  • É fato! Muitos textos da bíblia parecem nos sugerir que aqueles que nele confiam, não serão abalados, afligidos, tocados. Lembro que Jesus, pelo menos para os cristãos, é a referência a partir da qual toda a escritura deve ser lida. A narrativa de Jesus sobre Deus, nos diz que a promessa do Pai é de estar presente no deserto conosco, não a de evitá-lo. A falsa narrativa vigente, embora com cheiro de bíblia, nos diz: confie em Deus e o sirva e então ele vai abençoar você.  A narrativa de Jesus nos afirma: na vida vocês terão problemas, aflições, dores, desertos, sofrimentos justos e outros estupidamente inexplicáveis, mas confiem em mim, eu estarei com vocês (palavras minhas da palavra Dele). Note-se: a promessa é de companhia, cumplicidade e não de livramento. Portanto, ao sair de casa, não alimente a falsa expectativa de que coisas ruins não vão acontecer com você ou os seus, somente porque você é servo ou serva de Deus. Escore-se sim na verdade libertadora de que mesmo em silêncio, Deus estará presente, não importa o que aconteça.
Repetir isso vai nos ajudar a interiorizar o conceito de Deus que Jesus tinha. Mais: vai nos ajudar a perceber que a grande ligação com o Pai, conforme nos revelou Jesus, deve se dar puramente na base do amor a ele, por mais incompreensíveis e imprevisíveis que venham a ser as circunstâncias dentro das quais a nossa vida aconteça.
Fraterno abraço
Eduardo - Formatio

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Deus da Bíblia x O deus do Alcorão

Postado por Gutierres Siqueira
Fonte: Teologia Pentecostal

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nas mãos do oleiro


Chega um tempo na vida em que o oleiro resolve valer-se dos trilhos da existência para moldar-nos à medida do seu filho. Para os que receberam o Filho como Filho e a graça como favor, não existe outro propósito às vistas do Altíssimo, referente ao homem, que não seja a de fazer-nos semelhantes ao Cristo.

Quem nunca vivenciou dias em que parece estarmos numa olaria? Parece que ele, o oleiro, tem prazer em quebrar parte por parte, sem pressa, demoradamente, pra doer mesmo.

A vida é cruel. Na realidade viver exige pulso firme. Quando parece que tudo vai muito bem, chega o tempo em que quase nada – ou nada – dá certo, qualquer passo é incerto, qualquer pingo d’água se torna em tempestade, quanto mais o bem se quer fazer, muito mais o mal se obtém.

É a mão do oleiro, é o peso do martelo, é o estralar da argila seca. Dor e muita lágrima. O coração angustia-se, a alma comprime e a mente se confunde. Ele, o oleiro, trabalha com afinco, planeja um vaso perfeito à medida do verbo que se tornou carne.

Nesses tempos é bom manter o silêncio, calar-se. Se tiver de gritar para liberar a alma, grite quando estiver só; se gritar não for o bastante, esprema os olhos e chore, pois chorar libera a alma do medo da morte, do não existir.

São tempos de muita dúvida, inconstância, medo e tremor; mas resta uma certeza que se fortalece em meio à tanta lágrima misturada com barro: o amor de Deus não se esvai com processos de dor.

A dor torna real a existência, firma o chão da alma, torna a vida menos insossa. Ao vaso resta apenas uma atitude para não atrapalhar o processo: recordar. Recordar que Ele, o oleiro, controla a existência; cuida, ama, abraça, acolhe, chora junto, geme junto, sofre junto. A solução para o alívio da dor é a esperança, lembrar-se das obras do oleiro e recobrar a memória enchendo o coração de expectativas, pois o oleiro não tarda, não erra o tempo, não comete equívocos.

Esses são tempos que redundam em um novo ser, mais semelhante Àquele que tudo sofreu em favor do amor e que triunfou através da morte para a vida.

Tempos em que é sempre bom provar da doçura das palavras de um vaso que há muito sofreu a dor da perda, do abandono, da solidão – vivenciou intensamente o processo:

Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a sua fidelidade! (Lamentações de Jeremias 3:21-23)

Em Cristo, Aquele que sofreu as minhas e as suas dores, mas triunfou pelo amor,


Will - Celebrai!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Deus é um artista


Nos últimos dias do verão podíamos contemplar no horizonte cinzento da capital paulista uma linda cena. Os tons amarelados, laranjas e vermelhos rasgavam o céu com sincronia e ritmo e até desprezavam a poluição. Os céus nos brindavam ao final da tarde, na hora da maior agitação, cenas de um cartão postal. Infelizmente, muitos cansados com o dia de trabalho e ainda com o trânsito infernal, nem sequer percebiam que as alturas estavam promovendo um espetáculo. Só posso concluir daquele pôr do Sol que Deus é um artista.
Reportando a gênese do universo, podemos imaginar o momento em que Deus cria a arte e vê que é uma boa criação. Infelizmente, com a pós-queda tudo no universo fica um tanto distorcido, inclusive os dotes artistas dos homens, que hoje são usados em sua maioria para a promoção de valores corrompidos. 

Desprezo pelas artes

Nós protestantes e pentecostais, lidamos muito mal com as artes. Costumamos demonizar mediante uma antipatia iconográfica. Poucos são os evangélicos lidando com artes plásticas, cênicas ou mesmo estudando a história da arte. E os literatos cristãos? Será que se torna mais difícil surgir um novo C.S Lewis, homem de sensibilidade nos contos infantis? G. K. Chesterton dizia que os contos de fada o tinham preparado para crer no Cristianismo: “Minha primeira e última filosofia, aquela que acredito com certeza absoluta, eu aprendi na creche”[1]. Os contos infantis permitiram que Chesterton despertasse o senso de maravilha. Por isso, você nunca viu uma criança cética.
O desprezo e exagero quanto as artes é tão grande, que você pesquisando nas páginas do Google, verá uma série de textos escritos por protestantes fundamentalistas que condenam as obras de cristãos literatos da fantasia, como C. S. Lewis, G.K. Chesterton e J. R. R. Tolkien. Infelizmente tais pessoas vêem maldades e setas satânicas em tudo.

Fazendo arte

Com exceção da música, onde os cristãos protestantes têm certa tradição, as demais facetas do mundo artístico estão nas mãos de pessoas desprovidas de valores cristãos. Ora, se os cristãos não ocupam os espaços públicos, certamente alguém fará. Não adiante reclamar que a arte contemporânea é anticristã, se os cristãos não produzirem elementos tão bons quanto.
Sob a idéia de uma cosmovisão cristã, é necessário construir em lugar de somente criticar. Os cristãos precisam ser produtivos, pois senão viveremos constantemente numa sociedade pervertida. Construir não é uma tarefa fácil, mas a sua necessidade é constante.
Os “escatofatalistas” pensam que não é preciso perder tempo com tais coisas, pois o fim se aproxima. Ora, a Bíblia incentiva uma vida de vigilância, mas nunca de inércia. A inércia mata e corroí, pois não é bíblica e nem cabe na mordomia cristã. Portanto, cabe a cada um de nós repensarmos até mesmos as artes.

Referência Bibliográfica:

[1] CHESTERTON, Gibert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p 82

domingo, 15 de março de 2009

Pobres ateus!


Disseram-me que o ateísmo está crescendo. 
Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?
Não eu! 
Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...
Quero um mundo onde a gente não esteja só. 
Um mundo com anjos de pé e caídos. 
De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios... 
Quero o mundo onde os tambores invoquem. 
Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder. 
Quero o mundo que produziu Beethoven que, surdo, dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona. 
Que desafiou Mozart a zombar de Deus enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa! 
Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora! 
A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna. 
Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos... 
Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal. 
Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade. 
Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte. 
Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu e, se leu, podia ser lido. 
Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que, um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança! 
Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro. 
Quem quer o socialismo frio do ateus? 
Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado! 
Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação. 
Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve. 
Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção. 
Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem. 
Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada? 
Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles. 
Não! Mil vezes não! 
Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão. 
Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer? 
Quero um mundo onde a fé , o amor e a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar! 
Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto! 
Mas não quero a teologia técnica... 
Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua Glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade! 
Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar. 
Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó. 
Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco. 
O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser! 
Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto. 
Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si. 
Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente. 
Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!

Ariovaldo Ramos (Via Pavablog)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Meu pai é normal.


Meu pai é uma pessoa normal.
Ele tem sentimentos de uma pessoa normal.
Ele ama, se alegra, se entristece, se ofende, se ira e tem ciúmes.
Por ser pessoa normal é possível provocar estes sentimentos nele.
Herdei dele esses mesmos sentimentos. A diferença é que ele tem esses sentimentos por motivos corretos, numa medida adequada e na hora apropriada. Eu os tenho e os manifesto conforme o meu entendimento, pois são filtrados pelo pecado e egoísmo.
Eu amo meu pai. Eu o admiro.
Por isso os sentimentos que o atingem também me atingem e me abatem poderosamente. Talvez por serem filtrados pelo pecado e egoísmo.
Quando alguém atribui a ele algo que ele não disse eu me entristeço.
Quando alguém aprova o que ele odeia eu me ofendo.
Quando um ateu diz que ele não existe ou que não é pai eu me iro.
Quanta coisa tenho ouvido e lido a respeito dele que me faz chorar.
Como se diz e se escreve arrogantemente coisas sobre ele sem temor algum.
Como se calunia a sua pessoa e despreza-se a sua bondade que me dá vontade de gritar.
Sei que ele não precisa da minha defesa. Mas como ficar impassível quando alguém desonra uma pessoa amada.
Quem não reagiria quando alguém ofendesse sua mãe, ou seu pai ou sua esposa, figuras terrenas imperfeitas, quanto mais a um perfeito pai?
Quantos ficam indignados contra as injustiças e preconceitos humanos e não reagem contra as ofensas ao mais amável e bondoso dos seres.
É bem possível que isto seja imaturidade de minha parte; mas eu também não gostaria de atingir um nível de "maturidade" que nada sente quando o que meu pai pensa é contrariado ou distorcido.
Eu sou anormal.
Meu pai é única pessoa normal.
Na verdade ele é o padrão de normalidade. Padrão que, na sua própria linguagem, é chamado de:
Santo!

Pr Julio Soder


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Coisas de um Deus gracioso


Não se pode estabelecer uma doutrina em cima de experiências pessoais. Elas são muito particulares e os fatores envolvidos são variados e, muitas vezes, desconhecidos, pois depende do plano de Deus na vida de cada um e do que Ele quer realizar na estrutura e caráter dos seus filhos.
Vejo muitas vezes o povo de Deus fazendo campanha para obter o que o diabo ofereceu para Jesus no deserto e, mais ainda, há mensagens saídas do púlpito que querem nos fazer determinar que "estas pedras sejam transformadas em pães".
O interessante é que no mesmo texto que diz "pedi e dar-se-vos-á" também diz que o "nosso Pai celeste sabe que necessitais de todas estas coisas".
Lembro-me que foram raras as vezes que tenho pedido a Deus coisas materiais e sempre tive todo o necessário e com sobra para viver e realizar a missão em que estive envolvido mas, como já disse, esta é uma experiência pessoal e não serve de padrão para ninguém, a não ser os princípios espirituais  implícitos.
Dentro dessas experiências que, repito, não é um padrão de ensino, tenho a convicção que Deus se agrada mais da sinceridade irada do que da gratidão resignada e hipócrita.
Em 2001, na cidade de Cacoal, Rondônia, ao assumir a missão de fundar e organizar uma entidade para recuperar quimio-dependentes, tínhamos pouco recursos financeiros. A diretoria conseguiu, de doação da delegacia, uma moto "cabrita"(roubada e adulterada) muito velha. Era uma CG 125 que havia passado na mão de quase todo policial da cidade em missão ou não. 
Como bom servo de Deus, acostumado e "treinado a dar graças em tudo" aceitei alegremente. Era melhor do que ficar a pé. Afinal, "tudo provém de Deus".
Mas a moto só me fazia pagar "mico". Era uma verdadeira tribulação. Apagava no sinal e só pegava depois de muita oração e um mecânico; caía a parte lateral no meio do trânsito e eu parava e ia lá pegar e colocar de novo; o povo ria. E eu quieto (por fora). Não queria ser considerado "murmurador" e nem que Deus pensasse que eu era mal-agradecido. Como se Ele não soubesse.
Um dia, depois do estudo bíblico e com pressa pra chegar na cidade para uma entrevista com um novo candidato à recuperação, a moto não quis pegar. Uma ira nada santa me subiu. Joguei a moto no chão e subi bufando em direção ao monte, bem longe, para que os internos não pudessem me ouvir. Lá no topo, vociferei arrogantemente: "- Olha aqui, Deus! Vim aqui seguindo a tua direção mas tá muito difícil. Tudo quanto é entidade que nem teme o Teu nome tem de tudo pra trabalhar e eu aqui nesta pindaíba. E eu ainda fico pregando por aí que o Sr é o Deus do ouro e da prata. Eu não aguento mais. Essa m... dessa moto deve ter sido então o diabo que me deu! O Sr tá brincando comigo?!".
Silêncio total...nem um sussurro e nem um raio me fulminou.
Desci do monte sem resposta mas aliviado. Eu havia me desnudado para Ele. Não fingiria mais para Ele.
Na descida, vi que um recuperando havia consertado a moto. Eles abrem e consertam tudo. São cheios de talentos. Quer achar gênios em quantidade? Procure entre os viciados em drogas e alcoólatras.
Duas semanas depois, enquanto eu dava estudo bíblico para os internos, vi alguém entrando de moto pelo portão do centro de recuperação. Continuei ministrando o estudo enquanto ele se aproximava lentamente. Parou do lado da turma e desceu da moto mais linda que eu tinha visto. Era uma Falcon 400, vermelho sangue, novinha, lançamento da Honda na época. 
Para não interromper o estudo pedi que ele se assentasse e ouvisse a palavra também, pois eu estava quase terminando. Propositadamente alonguei o estudo na esperança de que a palavra o atingisse também.
Quando terminei fui atendê-lo. Ele disse que queria falar comigo em particular. Convidei-o então a subir a trilha para o monte, de onde poderíamos ver toda a propriedade. E ali, no mesmo lugar em que eu havia reclamado com Deus ele tirou do bolso a chave e os documentos da moto, estendeu pra mim e disse: "- Toma, esta moto é sua, Deus mandou dá-la a você.
Levou dois dias pra cair a ficha e eu aceitar que aquela moto era minha de fato.
Nem sei que lições e ensinos tirar disso tudo. Mas sei que ele é tão gracioso que a gente não consegue nem absorver esse ensino. E a gente ainda pensa que pode afetá-lo com nosso pseudo- desempenho.
Curiosamente que, no viver com Deus, nem sei mais onde termina o natural e começa o sobrenatural. Não consigo fazer essa divisão. Até nem acho que ela exista.
Hoje aconteceu mais um caso parecido. Eu nem pedi. Mas isto é história pra outro post.

Pr Julio Soder





domingo, 5 de outubro de 2008

Deus incomoda

 

Para uns, Deus é uma força cósmica, uma energia poderosa e inexplicável, que emana suas radiações dos confins do Universo.

Para outros, Deus criou o mundo, mas hoje está inoperante por não ter impedido que coisas ruins acontecessem, como o Holocausto, o 11 de setembro e a tsunami destruidora na Ásia.

 

Ainda para alguns, Deus é um ser castrador, que inventou mandamentos, regras e proibições para impedir que gozemos tudo o que há de bom na vida. Já em outro extremo, há os que vêm em Deus uma divindade  tão amorosa que Ele não faz conta de nossos erros, tropeços e pecados... é enfim, um “deus bonzinho”, que lá no Antigo Testamento foi severo, mas agora se arrependeu.

 

Não é difícil perceber que, embora desconheçam da natureza e do caráter divino narrados nas Escrituras, as pessoas estão em busca de uma espiritualidade – qualquer uma – para fruir de suas bênçãos e benesses, mas nem sempre desejam Aquele que originaram elas. O povo tem fome de que? Certamente não é do “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, e nem tampouco de Jesus de Nazaré.

 

Em primeiro lugar, o povo busca sensações prazerosas. Por isso a avaliação que fazem de nossas reuniões de fé sempre se dá no campo estético: “gostei”, “bonita apresentação”, “bela mensagem”. Ou ainda no campo da sensação: “senti uma coisa gostosa ali”.  Sem dúvida que a presença divina pode proporcionar tudo isso, mas um verdadeiro encontro com o Eterno não fica só na sensação: a vida inteira é tocada.

É duvidoso afirmar que a maioria das pessoas que procuram uma instituição religiosa ou o auxílio de um pastor, estejam de fato buscando um Deus que reine em suas vidas, que controle seu humor, dirija seus sonhos,  e conceda-lhes uma virada existencial. Não! Desde que a igreja atenda alguns de seus problemas pontuais, está tudo bem, e isso por vezes independentemente de qualquer fé em Deus.

 

Quando vejo nas manhãs frias de domingo igrejas repletas de fiéis, braços levantados, entoando cânticos de vitória, custa-me crer que estejam de fato buscando ao Deus Trino, Santo e Soberano. Vamos comprovar? Eliminem-se as promessas de cura, de emprego, e de resolução de problemas.... e aquele local se esvaziará.  Experimente-se num espaço de grande aglomeração de fé alterar o cardápio que será oferecido à multidão, e ao invés de um “encontro de milagres” promova-se ali um estudo profundo da Epístola de Tiago e uma palestra com o tema “Santidade ao Senhor”, e constataremos que todo interesse desaparecerá. Não, não é a Deus que buscam.

Na verdade, poucos querem Deus, pois Deus incomoda.  Ele nunca nos dá nenhuma certeza, a não ser Suas promessas  escritas num livro com mais de dois mil anos. Não há apólices, contratos ou qualquer outra segurança que seja visível ou palpável. Neste mundo moderno as pessoas não querem incertezas ou riscos.

 

Como Eugene Peterson observou, Deus incomoda porque esperamos que Ele resolva nossos problemas de caráter e de vícios de forma rápida e indolor. Mas Ele insiste num “programa de recuperação” lenta e gradual.

Deus incomoda porque Ele destrói nossas ilusões religiosas mais sublimes.  Foi assim com o povo que seguia a Jesus porque “tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2), mas quando o Mestre começou a mostrar a outra face do Reino essas pessoas abandonaram a fé e já não andavam com Ele. Até os próprios discípulos também foram confrontados: ”Quereis também vós retirar-vos?” (Jo 6.67). Em outras palavras: o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada está iludindo a si mesmo e enganando a Igreja, pois quem os observa presume que este iludido seja um cristão. E não é! (Lloyd-Jones).

 

As pessoas não se sentem confortáveis com Deus em suas vidas. Elas preferem algo menos temível, como por exemplo, serem simpatizantes da fé e freqüentadoras dos cultos. Por quê? Simples: Deus incomoda, perscruta, atinge, inquire, confronta nossos valores, provoca crise, altera nossa rotina, retira todas as nossas seguranças, substitui o reinado do ego para construir em nós o Seu reino, pede que eu me esvazie, e me “envia” ainda que eu não me ache preparado ou capaz.....

 

Definitivamente é perigoso envolver-se com Deus.


Fonte: Blog Frenesy