Mostrando postagens com marcador profetas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador profetas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Antes que as pedras clamem!

Os tempos são difíceis. Urge que o povo se mobilize. Não dá para virar o rosto como os religiosos da Parábola do Samaritano. Contudo, faltam profetas !

Precisa-se de profetas mostrando a impotência dos rituais religiosos para mudar realidades. Mas eles devem ter a coragem de Isaías para proclamar: “Parem de trazer ofertas inúteis!... Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade... Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei !” (Is 1.13) Requerem-se profetas com o dedo em riste , avisando que o jejum que Deus quer não é abstinência de comida, mas o esforço para se restabelecer a justiça : “Será esse jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinza ? É isso que vocês chamam de jejum, um dia aceitável ao Senhor ? o jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça , desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo ? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado , vestir o nu que você encontrou , e não recusar ajuda ao próximo?" (Is. 58.5-7).

Precisa-se de profetas que fujam da picada da mosca azul. O Brasil carece de homens que não tenham preço. É necessário surgirem profetas que, a exemplo de Micaías, não permitam que seus nomes constem na folha de pagamento dos poderosos. Josafá, rei de Judá, desejou firmar uma aliança com o rei de Israel, mas antes procurou consultar a Deus. Acabe tinha cerca de 400 profetas assalariados. Josafá se intrigou com a unanimidade e pediu para se aconselhar com alguém independente. Havia Micaías, que estava preso. Ao buscá-lo, o mensageiro advertiu: “Veja, todos os outros profetas estão predizendo que o rei terá sucesso. Sua palavra também deve ser favorável”. Micaías, porém, respondeu: “Juro pelo nome do Senhor que direi o que o SENHOR me mandar” (1 Rs 22).

Precisa-se de profetas que não alicercem seus ministérios em manifestações sobrenaturais de sinais, mas que estejam contentes de poderem transmitir a verdade de Jesus. Que sejam como João Batista, pois nenhum milagre se fez por intermédio dele, mas tudo que ensinou a respeito de Jesus era verdade (Jo 10.14) . Quem dera se mais homens falasse como Paulo : “Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria, nós, porém , pregamos a Cristo crucificado, o qual , de fato , é escândalo para os judeus e loucura para os gentios , mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e a sabedoria de Deus" (1 Co 1.22).

Precisa-se de profetas que saibam lamentar como Jeremias e chorem porque o processo de evangelização brasileiro priorizou salvar almas e não pessoas; prometeu o céu, mas descuidou em gerar ações trasnformadoras da história, gastou recuros financeiros em proveito da própria instituição e desperdiçou oportunidades de ser referência ética. O Brasil precisa de mais profetas chorões. Só eles saberiam fazer a espiritualidade ser mais solidária com os miseráveis da terra.

Os dias são difíceis. Oremos para que se levantem pregoeiros da justiça antes que as pedras comecem a clamar.

Pr. Jonas Santos 
 

sábado, 8 de agosto de 2009

Os profetas


Os profetas marcaram a história judaica por se oporem ao cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrificial e pelo peleguismo sacerdotal. Eles forneceram conteúdos éticos à consciência política e ao tecido social. Os profetas encararam o rei para defender viúvas pobres. Amargaram a pobreza para denunciar desvios morais entre o povo.

Os profetas eram moscas que atrapalhavam a sala do perfumista corrupto; suas palavras, martelos que despedaçavam corações de pedra; seus olhos, faíscas do fogo consumidor da justiça. Se vidas corriam perigo, não temiam descer em fossas fétidas. Não havia dinheiro que os comprasse. Os profetas desmascaravam personagens que ritualizavam a espiritualidade, desdouravam promessas de paz e caminhavam na contramão do sucesso.

Os profetas detectavam os blefes do jogo do poder. De dedo em riste, saiam do palácio para clamar no deserto. Mesmo sabendo que não seriam ouvidos, insistiam em prenunciar os despenhadeiros que a falta de amor abria. Prometiam trevas pela falta de ética e morte pelo egoismo. Desprezados em vida, precisaram esperar que o futuro lhes desse razão. Mas mesmo assim perseveram sob ameaça de assassinato e ostracismo.

Os profetas sentiram as dores divinas. Percebendo que a história descambava, se colocavam na brecha. Vendo que os acontecimentos fugiam do controle divino, vociferavam maldições. Os profetas sofriam, indignados com a banalização da vida e com a morte desnecessária de inocentes. Mais que porta-vozes do além, encarnavam o coração paterno de Deus.

Os profetas foram sentinelas nas muralhas que protegiam as cidades, bússulas na incipiente ética primitiva, faróis da esperança futura. Israel deve a eles sua permanência histórica mesmo tendo sido considerado uma Sodoma e se mostrado mais vil que os povos inumanos que o rodeavam. O judeu só não desapareceu como esterco da história devido a Isaías, Ezequiel, Oséias e outros.

Os profetas continuam necessários. Sem eles, as pedras clamam, Deus não fala, o futuro inexiste, toda a perspectiva se esgarça e o inferno se viabiliza. Nunca se precisou tanto deles, principalmente, agora, nesse protestantismo cooptado pelo mercado e instrumentalizado pela ganância.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim


via Pavablog