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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Vital e sua moto

O mercado não se sacia nunca. Ele exerce a sua opressão e seu desejo de domínio não tem limites. Também não admite ninguém fora das suas garras. Quando encontra alguém fora do seu domínio, ele vai cercando o território com suas leis até sua vítima não ter mais para onde fugir e aí a suga mais e mais. Dá, dá é o seu lema.
O mercado agora avistou mais uma vítima que não estava sob o seu controle total. São os motociclistas.
Apesar de já ter os motociclistas (veículo de quem tem pouco dinheiro, quem tem compra carro) debaixo do seu jugo com a cobrança de IPVA, Seguro (caríssimo se comparado ao valor do veículo), Licenciamento e mais taxas e correrias para sustentar aquela máfia que vive do setor, agora, em nome da segurança de trânsito, as exigências estão maiores.
É que o mercado descobriu que as algemas dos motociclistas ainda não estavam bem apertadas. Descobriu que motociclista não é escravo do transporte coletivo e nem da Petrobrás. "Estava muito barato para eles rodarem para lá e para cá e ainda não sofrerem com o congestionamento. Quem quer ter tamanha liberdade e autonomia deve pagar caro".
Então o mercado encomendou reportagens, numa campanha velada contra os motociclistas, para justificar o espólio.
Em nome da segurança do trânsito pagou matérias para levar a opinião pública a pressionar as autoridades, dizendo que o número de acidentes de trânsito envolvendo motos aumentara consideravelmente (na verdade, o índice continua o mesmo; o número de acidentes aumentou porque o numero de motos também aumentou).
A mídia constantemente exibe filmagens de algum engraçadinho fazendo gracinhas em uma moto, tentando sensibilizar e convencer a população e as autoridades de que os motociclistas são irresponsáveis e imprudentes (o que não é verdade: a grande maioria deste tipo de acidente acontece porque neste país há um desrespeito aberto aos motociclistas - o maior detona o menor). Os motoristas de veículos maiores não são ensinados a conviverem com as motos no trânsito. 
Já chegaram até a falar em proibir as motos de circular no corredor entre os carros - ridículo - quer aumentar os congestionamentos? Moto foi feita para isso. Moto não é carro para ficar ocupando o espaço de um.
A implicância e as exigências sobre os motociclistas estão sendo vergonhosas.
Eles não sabem mais o que fazer para arrancar o dinheiro do povo deste país.
Vocês querem acabar com a gente? Pois não vão, não. A gente se prolifera, bicho.

Veja o vídeo: MOTOBOY

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Crise traduzida

Entenda a crise: um exemplo prático.

Imagine um ponto de drogas, uma boca no meio da favela da Vila Califórnia onde o dono é conhecido como Bucha. Bucha costumava vender drogas para blogueiros, pastores de igreja e atores globais que, por medo da exposição, costumavam pagar rapidamente.
A bocada estava meio devagar, pois um árabe fez alguns ataques, difamando seu produto numa lista de discussão da internet chamada al qaeda. Para levantar a moral e aumentar a lucratividade, Bucha decidiu vender pó fiado a outros tipos de clientes, como pessoas com graves problemas de dependência química, desempregados e jornalistas que faziam matérias por ali. Com isso, aumentou sua fatia de mercado e começou a cobrar o dobro desses caras para compensar o crédito fornecido.

O plano deu certo, em pouco tempo a popularidade da boca de Bucha aumentou e seus fornecedores, traficantes maiores, ficaram tão empolgados com a crescente demanda que começaram a adiantar a mercadoria para ele em troca da enorme dívida de seus clientes nóias. Depois, para negociar os lotes de drogas, esses traficantes repassaram as garantias dos nóias do Bucha aos produtores de farinha, que repassaram pra galera da torre de quinta, que repassaram para os plantadores bolivianos, que repassaram para a Narcisa Tamborengere.

Assim, sem ninguém saber a origem, essas dívidas nóias foram repassadas até se tranformarem em fundos de pensão, fundos de investimentos, cdb, rbd, dst, fhc, títulos, ações, debentures, derivativos da bm&f, créditos de celular, tickets de refeição, opções da bovespa e muitas outras siglas e recebíveis negociáveis em camelôs, bancos e bolsas de valores em mais de 50 países ao redor do mundo como se fossem garantias sérias de que alguém pagaria alguma coisa algum dia.

Enfim, pressionado pelos credores e sem clientes (estavam todos mortos), Bucha declara a falência de sua boca e todos descobrem que esse dinheiro simplesmente não existe: são as dívidas daqueles junkies sujos malditos que não pagaram pelo pó consumido e morreram de overdose. É isso. Agora ninguém confia em ninguém.

sábado, 4 de outubro de 2008

A história em tempo real


E agora, José?
A festa acabou,a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

Por favor, toda atenção! Não me refiro ao que vou escrever. Precisamos acompanhar o desenrolar da história. Chegamos a uma dessas esquinas principais, onde a humanidade vai dar uma guinada que marcará o futuro para sempre. Não perca nenhum capítulo!

A crise financeira, a quebradeira dos bancos, a queda das bolsas, o enfraquecimento do dólar, não são acontecimentos pontuais e passageiros, facilmente contornáveis com uma intervenção. Testemunhamos outra realidade: o fracasso das políticas neoliberais que perdem força e já não conseguem continuar na superfície das águas tumultuadas da especulação financeira.
Assistimos ao começo do fim do império econômico da minúscula Wall Street; o fim do ufanismo estadunidense; e a vingança da Europa pós-guerra, unida agora pelo "mighty” euro. O trilhão e cem bilhões gastos no Iraque vão fazer falta no esforço de resgatar o sistema bancário do Tio Sam.
Atentemos para o dia a dia. E nos preparemos para tempos difíceis. Enfrentaremos uma recessão brutal, com desemprego em massa devido a falta de liquidez dos mercados. A festança capitalista minguou. A soberba da Grande Potência, endividada até o último fio de cabelo, será abatida. (aconselho aos emigrantes, que foram em busca de um Shangrilá, voltem, é melhor passar necessidade em casa, perto da família).
O mundo nunca mais será o mesmo. A economia capitalista bateu no fundo do poço. Desabou o último mito da modernidade. Um evangélico, que se gabava de buscar a sabedoria divina, presidiu a mais devastadora crise econômica desde a Grande Depressão de 1929. George W.
Bush entrará para a história como um líder incompetente. Além de beligerante, não coibiu a volúpia dos especuladores ávidos por dinheiro fácil. Mais uma vez, a grande Babilônia, que não tem escrúpulos de negociar com a alma dos homens, rasteja endoidecida.
Acompanhemos o noticiário com interesse dobrado. Somos testemunhas oculares de um marco importantíssimo da história. Só não nos esqueçamos de lamentar e chorar. Além de triste, mais uma vez os pobres pagarão o pesado da conta.
Soli Deo Gloria.