sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O mistério da vocação


Existem dois mundos, um contra o outro, dominados por duas vontades, a do homem e a de Deus, respectivamente. O velho mundo da natureza decaída é o mundo da vontade humana. Ali o homem é rei e sua vontade decide os eventos. Ele fixa os valores: o que deve ser estimado, o que desprezado e o que rejeitado. Sua vontade impregna todas as coisas: "Eu determinei", "Eu decidi", "Eu decretei", "Cumpra-se". Ouvem- se estas palavras continuamente brotando dos lábios dos homens pequeninos. Não sabem, ou se negam a considerar, que eles são para um dia, logo passarão e já não serão mais.
Todavia, em seu orgulho os homens afirmam a sua vontade e reivindicam a propriedade da terra.
Deus é admitido somente pela tolerância do homem. Deus é tratado como uma realeza visitante num país democrático. Toda gente leva nos lábios o Seu nome e (especialmente em certos períodos) Ele é festejado, celebrado e louvado. Mas, por trás de toda essa adulação, os homens se agarram firmemente ao seu direito de autodeterminação. Enquanto se permite a um homem que banque o hospedeiro, ele honrará a Deus com sua atenção, mas Ele deverá permanecer como hóspede, sem nunca procurar ser Senhor. A Deus não se permite decidir nada. O homem se inclina diante dEle e enquanto se inclina, manobra com dificuldade para esconder a coroa que tem sobre a própria cabeça.
Contudo, quando entramos no Reino de Deus vemo-nos noutra espécie de mundo.
Quão deleitáveis são os caminhos de Deus e as maneiras pelas quais a Sua vontade percorre! Não por força nem por poder, nem tampouco por capacidade inata nem por instrução recebida os homens são feito apóstolos, mas pela vocação eficaz de Deus. Assim é com todos os ofícios da igreja. Permite-se aos homens que reconheçam a vocação e que façam pública e agradecida confissão disso diante da igreja reunida, mas nunca lhes permite fazer a escolha. Mas onde os caminhos de Deus e dos homens se misturam e se fundem, há continuamente confusão e fracasso. Bons homens que, todavia, não foram chamados por Deus, podem, e frequentemente o fazem, tomar sobre si a sagrada obra do ministério. Como é triste a visão e como são trágicas as consequências, pois os caminhos do homem e os caminhos de Deus são contrários uns aos outros para sempre.
Será esta uma das razões que está por trás da nossa presente condição de fraqueza espiritual? Como pode a carne servir ao Espírito? Como é que vão servir ao novo segundo os caminhos do antigo! Disto provém o excessivo desenvolvimento dos péssimos métodos que caracterizam as igrejas dos nossos dias. Os ousados e auto afirmativos avançam e os fracos vão atrás sem lhes pedir provas do seu direito de dirigir. A vocação divina é ignorada, e a esterilidade e a confusão são o resultado.
É tempo de voltarmos a buscar a direção do Espírito Santo. O senhorio exercido pelo homem nos tem custado caro demais. A intrusa vontade do homem introduziu tal multiplicidade de métodos não espirituais e de atividades antibíblicas que categoricamente ameaçam a vida da igreja. Eles desviam milhões de dólares da verdadeira obra de Deus e desperdiçam horas de trabalho dos obreiros cristãos em tão grande número que chegam a ser constrangedores.
Os homens que se negam a cultuar o Deus verdadeiro agora prestam culto a si próprios com enternecida devoção. O retorno à sanidade espiritual espera o arrependimento e a verdadeira humildade. Permita Deus que logo voltemos a saber quão pequenos e quão pecadores somos.

A. W. Tozer - adaptado de um texto escrito há mais de 50 anos. Será atual?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mensagem ao Pr Marco Feliciano

Pr Marco Feliciano,
Trato-o como pastor pois sei o que significa a imposição de mãos do presbitério. Pastor não é título, não é função, mas é um dom de Deus à igreja, concedido na pessoa do pastor, no qual ele nunca mais deixará de sê-lo, pois é irrevogável.
Por isso mesmo, erros desculpáveis às ovelhas não são admitidos na pessoa do pastor; a "quem muito é dado, muito lhe é exigido".
Se o amado pastor pensa estar imune às críticas e não ter satisfações a dar à igreja, que somos todos nós em que habita o Espírito, e pensa esconder-se atrás da sua autoridade pastoral e do "não toqueis nos meus ungidos", venho dirigir-me ao pastor como pastor que sou, de "ungido para ungido" (falo como fora de mim).
No momento em que a Igreja do Senhor vive uma situação paupérrima neste mundo, cedendo e desejando os seus valores, sendo manipulada comercialmente pelos seus líderes de forma escancarada e aberta, fazendo com que o mundo zombe de nós, o pastor aparece em vídeo confirmando tudo que falam, sem se preocupar em fugir da aparência do mal. Digo "mal" porque a prosperidade pregada em nosso meio é contrária aos princípios do Novo Testamento. A Bíblia deixa claro que prosperidade material é sinal de bênção para Israel. Para a igreja a bênção é espiritual e a palavra chave é "despojai-vos" e "vendei os vossos bens e dai esmola (quem prega isso?). Não misturemos as dispensações.
Esperava-se mais discernimento de um pastor conhecido como alguém com muita intimidade com o Espírito Santo.
O amado pastor é uma personalidade influente (praticamente uma celebridade) e formador de opiniões e com possibilidade de encaminhar ou desviar a muitos dos verdadeiros princípios da palavra de Deus, e se alguém "ensinar aos homens de forma desviada será considerado mínimo no Reino dos Céus" (Mt 5:19).
Essas atitudes têm levado muitos a colocar todos os pastores no mesmo saco, dificultando em muito o trabalho de evangelização.
Peço, como irmão e pastor, volte atrás desta mentalidade, rejeite as trinta moedas, ensine corretamente, pois o povo de Deus está prestes a ver, de novo, o Senhor entrar no templo e chutar a mesa dos cambistas.
Com temor, angústia e esperança no mundo porvir,

Pr Julio Cesar Soder
RG 587.056-RO




sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Controvérsia no Cenáculo

Teve lugar, ontem à noite, no Cenáculo Municipal, a Sessão Apostólica Extraordinária.
A sessão se fez necessária tendo em vista o baixo nível espiritual da Igreja e de seus líderes e, antes que a situação se transformasse num "Deus nos acuda", o Colégio Apostólico decidiu reunir-se para definir os padrões mínimos de espiritualidade e ética.
A medida tornou-se necessária pelo fato de o povo cristão ainda não saber andar no Espírito, tão acostumado que está a andar na lei.
A certa altura da sessão a discussão tornou-se acalorada e os ânimos ficaram exaltados, principalmente da parte do apóstolo Tiago, presidente da mesa, que rebatia as acusações do apóstolo Paulo contra o apóstolo Pedro de fazer jogo duplo. Paulo vociferava e dizia que Pedro deveria legislar em um lugar em que ele ouvira falar, pros lados do Ocidente, produtor de queijo, em que as pessoas ficavam "em cima do muro".
Após longa discussão não se chegou a um consenso. Ficaram destacadas, a priori, duas opiniões divergentes, estabalecendo-se duas alas, para estudo mais profundo, em que os apóstolos iriam apresentar defesa  de suas respectivas posições.
As opiniões divergentes ficaram divididas entre a  ala dos conservadores e a ala dos liberais.
Neste momento da sessão o plenário quase veio abaixo e balbúrdia se instalou.
Alguns apóstolos alegavam que isto não levaria a acordo nenhum devido  a algumas posições de ambas as alas que eram inegociáveis.
Outros já faziam suas articulações. Teve até alguém no plenário, pessoa influente na comunidade, o renomado Simão, o mago,  que, pedindo a palavra, ofereceu total apoio financeiro à qualquer ala que negociasse uma participação na Secretaria do Espírito Santo; proposta que recebeu uma sonora vaia do plenário e cara feia dos apóstolos.
A grande dúvida de todos era saber quais os critérios que definiriam quem pertencia a que ala. Depois de algumas articulações e para que todos pudessem entender seria usada a definição corrente e popular de conservador e liberal, ficando estabelecido o seguinte:
  • Todo aquele que crê na inerrância das Escrituras tal qual foi escrita e interpretada segundo a boa exegese e no seu poder libertador, salvador e transformador das suas verdades com fé pura e simples deve se posicionar-se à ala conservadora. Esta posição, deixa claro o relatório, é ultra conservadora, simplista e "bitolada".
  • Todo aquele que questionar as Escrituras e interpretá-la segundo a boa exegese, levando-se em conta a cultura, a cosmovisão  e a capacidade de obediência de cada um deve posicionar-se à ala liberal.
  • Todo aquele que não estiver disposto, em nome da graça e da misericórdia, a aceitar, relevar e justificar os paradoxos, pecados e fraquezas humanas, ensinando-os a aceitarem-se como são, dando-lhes paz, como no caso dos irmãos que criticaram a irmã oxigenada, que se tornou atéia por causa de uma experiência religiosa pessoal negativa, e tentar transformá-los através das simples verdades bíblicas, consideradas pelo consenso geral como "clichês" e "chavões", deverá posicionar-se à ala conservadora. 
  • Todo aquele consciente de sua liberdade em Cristo Jesus e que dá publicamente à carne o que ela gosta, em nome da graça, da misericórdia e da autenticidade, e que ainda faz alarde disso sem se importar se isso escandaliza ou enfraquece a fé dos seus irmãos ou dá má fama à igreja, segundo os costumes locais, devem tomar sua posição junto a ala liberal.
Nessa altura, no momento em que a ala conservadora debatia a homoafetividade, apresentando um projeto para recuperação de homoafetivos, o plenário protestou com veemência, alegando desrespeito aos direitos humanos, à liberdade de pensamento e opção sexual. O barulho era ensurdecedor, levando o presidente da mesa a suspender a sessão.
Alguns apóstolos, não concordando com os critérios apresentados, saíram contrariados dizendo que independente do resultado, vão recorrer ao Supremo Tribunal Divino.
Um representante do Supremo, presente no local, já adiantou, não ultrapassando ao que está escrito, que o homem continua sendo julgado pelas suas obras, tendo como único atenuante o arrependimento, para que receba a sursis sanguinea do Senhor Jesus Cristo, citando o Código de Provérbios, confirmado em códigos mais atualizados, o Art. 28, parag. 13: "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia".
As próximas sessões prometem ser "quentes". Parece que uma revolução se aproxima.
Se dependesse do voto popular, a ala liberal venceria disparado.
Atualmente ser conservador está em baixa; não é muito "in".
Alguns, aparentemente desligados, considerados pela maioria da população como alienados, com suas bocas fechadas e os olhos a gargalhar, quando perguntados acham que os apóstolos estão discutindo o sexo dos anjos. Dizem não esperar a restauração deste estado de coisas, mas sim uma nova pátria. Parecem de outro mundo.
Cada um que me aparece.

Pr Julio Soder

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência.


Fumantes de Cristo

Dono de café na Holanda transforma seu estabelecimento em “igreja” para contornar lei antitabagista.

Os fumantes da cidade de Alkmaar, na Holanda, já têm à sua disposição a primeira igreja do mundo dedicada aos fumantes. É isso mesmo – depois dos Atletas de Cristo, dos Artistas de Cristo e outras instituições do gênero, agora é a vez de os Fumantes de Deus conquistarem seu próprio espaço, onde a fumaça dos cigarros é considerada uma expressão de espiritualidade. Pelo menos, no entender do dono de um café da cidade, que transformou seu estabelecimento na Universal Igreja dos Fumantes de Deus. O comerciante Cor Bush tomou a iniciativa para contornar os efeitos de uma nova lei que proíbe o fumo em espaços públicos na Holanda, que entrou em vigor no último dia 1º de julho. 
A santa trindade venerada nessa igreja será “a fumaça, o fogo e a cinza”, diz Cor Bush, que afirma querer defender a liberdade religiosa garantida pela Constituição holandesa, nação de maioria religiosa protestante. Os fiéis que aderem à curiosa congregação recebem um documento autorizando-os a acender seus cigarros dentro do recinto. Por mais ridícula que pareça a idéia, Bush garante que vários outros bares e cafés da região de Amsterdã, onde fica a cidade de Alkmaar, já demonstram interesse em se juntar à “igreja” tabagista. “A comunidade da igreja dos fumantes é livre de fumar para honrar Deus na santa paz”, encerra o empresário.

Fonte: Notícias Cristãs - Cristianismo Hoje


Comentário: Avisem-me quando surgirem "Os maconheiros de Cristo". Quem sabe eu apareça por lá para dar uns "tapas". É o fim da picada...querem fazer de Jesus um lacaio dos nossos desejos. Duvido que um fumante de alguns anos não queira largar o vício. E Jesus ainda liberta. Maranata!

Não sei...só sei que quando cheguei aqui ele já estava.


Ao contrário daqueles que vêm demônios atrás de cada árvore, prefiro ver Deus em tudo. Afinal de contas toda iniciativa é dEle. Quando nós tomamos consciência e respondemos, já estamos a meio caminho andado do Seu plano. E achamos que é aí que começa a nossa história. Ainda nos vemos no centro da história. Ainda não temos noção das idéias que o nosso orgulho é capaz de produzir.
Também Ele não tem nenhuma obrigação de usar métodos segundo os padrões humanos. Ele pode se manifestar de forma incompreensível, confundido com um fantasma, causando confusão e terror a todos. Os humanistas ficam escandalizados quando Ele usa métodos "extra humanos" que eles reinterpretam como "desumanos". Quando tentamos explicar seus fins parecemos mais com tolos "amigos de Jó".
Nestes dias, internado neste hospital, pude perceber o quanto preciso de Sua presença. Alguns, "teologicamente corretos" podem contrapor que a Sua presença nunca se afastou. Concordo, mas eu posso me tornar alheio à ela. E aqui, despido de alguns dos meus "brinquedinhos", mas não dos meus pensamentos, vi que ainda há um último reduto em que posso tentar me esconder dEle. No próprio momento que escrevo este texto corro o risco de me afundar no perigoso e encantador terreno dos pensamentos e das idéias e perder a consciência da Sua doce presença, tão necessária ao meu viver.
A prisão dos pensamentos, idéias e divagações é a prisão mais terrível, pois ela nos dá a falsa sensação de que estamos conhecendo Deus quando na verdade estamos nos afastando dEle. Não estou defendendo a ignorância generalizada e nenhum sistema filosófico que, por acaso, se enquadre nesta descrição.
Imagino que Deus tenha vetado ao homem a árvore do conhecimento pois ele ainda não estava maduro para isso. E parece que ainda não está. (E tem gente que acha que estamos evoluindo!...). Conhecimento sem humildade só dá inchaço, diz Paulo.
Deus é para ser experimentado, a descrição é secundária (Ai, ai...lá vai dogma de novo).
Quão mais felizes são aqueles que não perscrutam mas deixam-se perscrutar, como criança desmamada no colo de sua mãe.
Jesus deu graças pelo Pai ter escondido coisas dos sábios e entendidos e as ter revelado aos pequeninos (simples).
Só a Sua presença abre e dilata os canais do amor e da genuína  revelação. Revelação sem a presença produz profetas de olhos secos e coração frio.
Só a Sua presença pode nos dar idéia da Sua grandeza e poder; e infundir em nós o temor e nos conduzir a verdadeira adoração.
Idéias e explicações sobre Deus te satisfazem?
Não tens tu sede de Deus, de Deus mesmo?
Pois Ele é tudo o que eu preciso...o resto, é adereço.


sábado, 18 de outubro de 2008

Obama

Ao entrar na rede, hoje, vi uma reportagem em que Ricardo Gondim vestia uma camiseta com a imagem do candidato à presidência dos EUA, Barack Obama. No texto, Gondim apresentava suas razões até de forma muito equilibrada.
Não discuto a sua preferência. Respeito a posição do Gondim. Admiro-o e o considero um homem de Deus e muito centrado. Não conheço suficientemente o assunto e nem os candidatos para ter argumentos para questionar a sua posição.
Mas conhecendo um pouco da natureza humana e o que a Palavra de Deus diz sobre ela, acho um pouco precipitado apostar tanto assim.
Não tenho nada contra Obama e nem torço pelo McCain. 
Obama tem carisma, idéias, personalidade impactante e aparente segurança.
Mas é isso mesmo que me deixa desconfiado.
O mundo ainda não perdeu a esperança de encontar um homem bom ou algo bom no homem. E é desta mentalidade que vai se valer o anti-cristo para ser aclamado o grande salvador (não que o Obama seja ele, de maneira nenhuma, mas é a questão da mentalidade propícia para o receber).
O triunfalismo da Igreja, alardeada pelas lideranças cristãs, na qual, dizem, Obama é uma peça chave, não é muito bíblica.
As Escrituras dão a entender que a Igreja é vitoriosa, nas não do jeito que ela imagina. Para que toda honra e toda glória seja de Deus somente, Jesus terá que salvá-la duas vezes. A primeira, espiritualmente, ele já fez. A segunda, fisicamente, ele fará arrebatando-a do caos que se aproxima.
Também não acho que devamos ser fatalistas e entregar os pontos, pelo contrário, devemos, até o último instante, representar e lutar pelos princípios de amor e justiça do Reino ao qual pertencemos.
Mas que eu espero uma vitória bem maior do que salvar este mundo (planeta), isto espero.
Quando ouço o povo apostando todas as suas fichas e esperanças em um homem, principalmente através dos meios políticos, fico com uma sensação de "deja vu", ou melhor, "de já vi esse filme".
Oxalá esteja eu enganado!
Achei interessante uma frase que o Volney Faustini me enviou esta semana: "Falar é barato e o silêncio é fatal". Acho que estou começando a aprender...
Se eu manifestar uma opinião equivocada, mas ela provocar o surgimento da verdade, louvado seja Deus. A glória é só dEle mesmo.
Por isso, ego, morra! Não há lugar para você neste Reino.

Pr Julio Soder

Reportagem no Pavablog
Ilustração: Tony Montano

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Entrevista - Bráulia Ribeiro

O perigo é outro

A missionária Bráulia Ribeiro diz que o secularismo ameaça muito mais a cultura indígena do que a fé cristã.

Desde 2005, a agência missionária Jovens com Uma Missão, a Jocum, encontra-se no olho do furacão. Naquele ano, dois obreiros ligado à entidade, o casal Edson e Márcia Suzuki, que atuavam havia longo tempo junto à etnia indígena suruwahá, salvaram uma criança condenada à morte pela própria tribo. Nascida com hipotireoidismo, Hakani, a criança, deveria ser sacrificada – o costume do infanticídio ainda é comum entre diversas nações indígenas brasileiras. A atitude, tomada em comum acordo com parentes da criança, fez o mundo desabar sobre a cabeça dos missionários. Acusados pela Fundação Nacional do Índio, a Funai (órgão ligado ao Ministério da Justiça que executa a política indigenista nacional), pelo Ministério Público e por setores acadêmicos de “crime cultural”, os missionários, bem como outros obreiros da Jocum, foram obrigados a deixar as áreas indígenas. Em maio deste ano, outro ataque – um diretor da Funai, Antenor Vaz, divulgou um dossiê contendo pesadas críticas à ação das missões religiosas que trabalham com indígenas em geral e à Jocum em particular. 

Leia toda a matéria...

Fonte: Cristianismo Hoje

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Falar é fácil


Aos 50 anos, depois de 15 anos servindo como missionário na Amazônia, carregando, internando e cuidando de viciados, prostitutas, ladrões e toda espécie de gente oprimida pelas trevas, estou em BH para tratamento médico. Aqui, também, os pecados e a opressão são os mesmos, mas é diferente. O tratamento médico me obriga a restringir as atividades e isto me possibilitou conhecer o mundo da internet, os blogs (até abri um), os artigos, mensagens e pensamentos de outros homens de Deus. Sinto-me, no momento, um troglodita. Não somente pela complexidade da tecnologia que agora estou tentando lidar, mas principalmente pelas idéias e pensamentos de algumas pessoas que escrevem nesses blogs. Fala-se com tanta facilidade e fluência sobre Deus, as Escrituras, revelação, missões e tudo o mais que se relaciona à obra de Deus. Fala-se e critica-se com uma facilidade de espantar e me dá a impressão que os autores são verdadeiros monstros da fé, pois eu creio que a autoridade e as palavras de alguém são testadas pela sua vida e obra. Pela quantidade e certeza do que falam devem ter feito muitas coisas e terem sido muito usados por Deus. Por isso desejo conhecer estes irmãos e aprender com eles, ouvindo-lhes o testemunho das coisas que, através deles, Deus em Sua misericórdia operou, para que a minha fé seja edificada e fortalecida. Quero olhar nos seus olhos e ouvir as suas experiências e as suas dores ao contarem ao que renunciaram para servir ao Senhor, as suas lutas contra o pecado e apelos da carne. Quero ouvir deles as derrotas e vitórias que tiveram na caminhada e serviço. Quantas e quais privações passaram. Ouvir quantas pessoas Deus permitiu que evangelizassem. Quantas discipularam e pastorearam. Quantos obreiros e líderes treinaram. Quantas congregações tiveram a oportunidade de fundar. Não que o número importasse, mas que quantidade de esforço foi feito, porque cada unidade dessas já é uma obra, um universo. Quantas e quais revelações tiveram de Deus e em quais situações e como Deus revelou. Quantos e quais milagres e provisões de Deus presenciaram. Pela quantidade de material escrito terei muita coisa a ouvir e ficarei como os crentes de Antioquia, quando Paulo voltava de suas viagens, não a ouvir pregações e sim o relato de quão grandes maravilhas Deus tinha operado através dele.
Quem quiser vir comigo não esqueça o lenço. Quando há autoridade e unção o uso do lenço torna-se inevitável.
Pr Julio Soder

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Vital e sua moto

O mercado não se sacia nunca. Ele exerce a sua opressão e seu desejo de domínio não tem limites. Também não admite ninguém fora das suas garras. Quando encontra alguém fora do seu domínio, ele vai cercando o território com suas leis até sua vítima não ter mais para onde fugir e aí a suga mais e mais. Dá, dá é o seu lema.
O mercado agora avistou mais uma vítima que não estava sob o seu controle total. São os motociclistas.
Apesar de já ter os motociclistas (veículo de quem tem pouco dinheiro, quem tem compra carro) debaixo do seu jugo com a cobrança de IPVA, Seguro (caríssimo se comparado ao valor do veículo), Licenciamento e mais taxas e correrias para sustentar aquela máfia que vive do setor, agora, em nome da segurança de trânsito, as exigências estão maiores.
É que o mercado descobriu que as algemas dos motociclistas ainda não estavam bem apertadas. Descobriu que motociclista não é escravo do transporte coletivo e nem da Petrobrás. "Estava muito barato para eles rodarem para lá e para cá e ainda não sofrerem com o congestionamento. Quem quer ter tamanha liberdade e autonomia deve pagar caro".
Então o mercado encomendou reportagens, numa campanha velada contra os motociclistas, para justificar o espólio.
Em nome da segurança do trânsito pagou matérias para levar a opinião pública a pressionar as autoridades, dizendo que o número de acidentes de trânsito envolvendo motos aumentara consideravelmente (na verdade, o índice continua o mesmo; o número de acidentes aumentou porque o numero de motos também aumentou).
A mídia constantemente exibe filmagens de algum engraçadinho fazendo gracinhas em uma moto, tentando sensibilizar e convencer a população e as autoridades de que os motociclistas são irresponsáveis e imprudentes (o que não é verdade: a grande maioria deste tipo de acidente acontece porque neste país há um desrespeito aberto aos motociclistas - o maior detona o menor). Os motoristas de veículos maiores não são ensinados a conviverem com as motos no trânsito. 
Já chegaram até a falar em proibir as motos de circular no corredor entre os carros - ridículo - quer aumentar os congestionamentos? Moto foi feita para isso. Moto não é carro para ficar ocupando o espaço de um.
A implicância e as exigências sobre os motociclistas estão sendo vergonhosas.
Eles não sabem mais o que fazer para arrancar o dinheiro do povo deste país.
Vocês querem acabar com a gente? Pois não vão, não. A gente se prolifera, bicho.

Veja o vídeo: MOTOBOY

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Futebol no Reino


Acabei de ler uma noticia de um assalto com a participação de dois ex-pastores.
Não é de se estranhar pois os escândalos envolvendo pastores, líderes e igrejas evangélicas já virou lugar comum.
Mas o mais interessante é o "frissom", um grito de gol, da torcida de um dos lados de uma situação que, há muito, já está polarizada.
De um lado temos os conservadores; composto de adoradores da estrutura e da instituição, assentados sobre regras legalistas e autoridade instituída, dizem, por Deus.
Do outro lado temos os liberais; composto daqueles que rejeitam qualquer coisa estabelecida.
Os conservadores sentem-se muito confortáveis na sua posição. Cumprem a sua "obrigação" atendendo ao regulamento; assim não precisam pensar muito e nem investir tempo e quebrantamento tentando ouvir a voz de Deus aplicável para aquele momento ou situação. Também não correm o perigo de sentirem inadequados diante de situações que não podem explicar e nem sabem o que fazer.
Isto dá a eles o controle da própria vida (essência do pecado). Quem não se adapta ao seu sistema é taxado de rebelde e excluído do grupo. São os fariseus modernos.
Os liberais festejam com o seu grito de "liberdade"! Rejeitam toda espécie de instituição e autoridade humana. Vivem o seu "tudo é lícito", independentemente se convém ou não. Não precisam de igreja nem de pastor. São o seu próprio padrão (essência do pecado). Seu subjetivismo chega quase as raias do antinomismo. São os saduceus modernos.
No momento em que leio a noticia do assalto com a participação de dois ex-pastores, a torcida dos liberais explode. Grito há muito reprimido pois já estiveram do outro lado. Gol com sabor de vingança. Já foram saco de pancada dos conservadores.
Vantagem no placar para os liberais.
Torcida conservadora calada e com raiva. Alguns se perguntam se deveriam trocar o goleiro ou mudar de time.
Os comentaristas de plantão (teólogos) dão as suas opiniões e fórmulas para equilibrar o jogo, como sempre. Também nunca jogaram ou foram técnicos.
Mas há uma outra torcida no estádio.
Ela está tentando entender o jogo. Não sabe pra que lado torcer; só sabe que foi convidada para esta "festa", disseram, e é ali que deve estar.
Olhando esta e desta torcida hoje consigo entender a expressão "ficar em cima do muro".
Apesar das incertezas, os olhos desta torcida passeiam pelo estádio a perguntar:
"Quando é que Jesus vai entrar em campo?".

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Crise traduzida

Entenda a crise: um exemplo prático.

Imagine um ponto de drogas, uma boca no meio da favela da Vila Califórnia onde o dono é conhecido como Bucha. Bucha costumava vender drogas para blogueiros, pastores de igreja e atores globais que, por medo da exposição, costumavam pagar rapidamente.
A bocada estava meio devagar, pois um árabe fez alguns ataques, difamando seu produto numa lista de discussão da internet chamada al qaeda. Para levantar a moral e aumentar a lucratividade, Bucha decidiu vender pó fiado a outros tipos de clientes, como pessoas com graves problemas de dependência química, desempregados e jornalistas que faziam matérias por ali. Com isso, aumentou sua fatia de mercado e começou a cobrar o dobro desses caras para compensar o crédito fornecido.

O plano deu certo, em pouco tempo a popularidade da boca de Bucha aumentou e seus fornecedores, traficantes maiores, ficaram tão empolgados com a crescente demanda que começaram a adiantar a mercadoria para ele em troca da enorme dívida de seus clientes nóias. Depois, para negociar os lotes de drogas, esses traficantes repassaram as garantias dos nóias do Bucha aos produtores de farinha, que repassaram pra galera da torre de quinta, que repassaram para os plantadores bolivianos, que repassaram para a Narcisa Tamborengere.

Assim, sem ninguém saber a origem, essas dívidas nóias foram repassadas até se tranformarem em fundos de pensão, fundos de investimentos, cdb, rbd, dst, fhc, títulos, ações, debentures, derivativos da bm&f, créditos de celular, tickets de refeição, opções da bovespa e muitas outras siglas e recebíveis negociáveis em camelôs, bancos e bolsas de valores em mais de 50 países ao redor do mundo como se fossem garantias sérias de que alguém pagaria alguma coisa algum dia.

Enfim, pressionado pelos credores e sem clientes (estavam todos mortos), Bucha declara a falência de sua boca e todos descobrem que esse dinheiro simplesmente não existe: são as dívidas daqueles junkies sujos malditos que não pagaram pelo pó consumido e morreram de overdose. É isso. Agora ninguém confia em ninguém.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fala sério!...

video
Leo Kret - O quarto mais votado para a Câmara Municipal de Salvador

Não se trata aqui de crítica à opção sexual do Sr Leo Kret e sim ao preparo para se legislar em uma cidade conhecida como berço de intelectuais e da cultura brasileira.
Todo o homem é responsável pelo que diz, e quando há erro ou engano, podemos exigir legalmente dele retratação; condição a que eu também me exponho aqui.
O Sr Leo Kret declara no video, em forma de verso, referindo-se a si mesmo, que Adão escolheu Eva por sua companheira porque não o conhecia. Isto seria menosprezar a capacidade de avaliação estética masculina, pois se Eva era perfeita e sem a degeneração física e psicológica do pecado, ela era um "AVIÃO". Sr Leo, Adão não era cego.
Além disso, citar maçã como fruto do pecado demonstra ignorância a respeito do livro mais publicado e lido em todo o mundo e em todos os tempos.
Usar a expressão "quase mulher" foi demais. "Quase" é expressão de sonho não realizado, frustrado. Teria o povo, como seu representante, pessoa mal resolvida, tomando decisões sob o peso psicológico e emocional de realizar ou compensar o seu "quase"? Quem sabe, daqui a quatro anos, o eleitor possa dizer que "quase foi feliz".
De Rui Barbosa e tantos outros a Leo Kret - que "involução..."
E nem adiantaria, também, qualquer alusão à sexualidade, do ponto de vista espiritual, pois "o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente"*. Incrivelmente os defensores do homossexualismo estão sempre dispostos a resistir a qualquer visão espiritual bíblica, que eles reinterpretam a seu bel-PRAZER, acusando aos que pensam diferente de preconceito (que, na verdade, não é o "pre" e sim o "conceito"), mas nunca os vi reclamarem dos programas humorísticos de televisão que fazem troça dos homossexuais, expondo-os ao ridículo de forma mais baixa do que qualquer crítica.
As eleições brasileiras são uma rica fonte humorística. Os jornalistas e blogueiros nem precisam fazer muita força para encontrar matéria. Isso jorra.

* I Cor 2.14


Fonte da noticia e do video: Pavablog


terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tratando Neuroses

TRATANDO DE NEUROSES INSTALADAS EM NOME DE DEUS (Ferramentas Bíblicas para Terapia de Cristãos) Karl Kepler, seminário no Congresso de BH A proposta deste estudo é auxiliar o terapeuta cristão a fazer uso da Bíblia para a compreensão e auxílio do processo terapêutico de cristãos. Somos fruto da mesma “grande igreja” que nossos pacientes, uma igreja onde o verdadeiro evangelho disputa espaço com muitos outros ensinos parecidos (algo como joio e trigo quando verdes). É minha convicção que, da mesma forma como a convivência e a pregação evangélica pode por vezes ter formado uma neurose em nossos pacientes, o verdadeiro evangelho, tal qual retratado na Bíblia, pode vir a ser extremamente curativo. O Problema Básico A vida com Deus para nossos pacientes muitas vezes é parecida com uma cabine elétrica de alta tensão: algo muito importante e necessário, mas muito perigoso. Eles mostram medo de errar nas decisões, medo de pecar, e esse medo traz pressuposto um medo ainda mais básico: o medo do próprio Deus. Esse “Deus que mete medo” tem muito respaldo bíblico, e por isso até hoje continua a ser muito adorado, ensinado e temido na grande maioria de nossas igrejas. É efetivamente essa a forma pela qual Deus mais se dá a conhecer ao povo de Israel no Êxodo, na formação daquela nação, através da Lei de Moisés. É enfatizado o “lado Juiz” de Deus que, embora coexista com outras faces mais misericordiosas dEle, impõe-se de forma dramática ao povo desde as pragas no Egito, passando por sua primeira manifestação no Monte Sinai (Dt 5.23, onde o povo ficou apavorado perante o fogo, a fumaça e a voz), seguido pelos castigos ao longo da peregrinação, até o estabelecimento do sucesso ou fracasso na vida futura da nação, de acordo com a obediência que traz a bênção ou a desobediência que traz maldição (Dt 28). Esse “Deus do temor” se manifesta grandiosamente nas guerras (contra os inimigos de Israel) e no posterior exílio – contra seu próprio povo – trazendo o castigo que Ele dissera que iria trazer. O fato é que essa imagem de Deus é parcialmente verdadeira e bíblica. É com esse aspecto de Deus que muitos dos nossos pacientes sofrem, em diversos graus. Para os que são atacados de pânico, imagino que a sensação seja a de estar sendo perseguido por esse deus-juízo, onisciente, onipotente e onipresente. Para os que morrem de medo de tomar alguma decisão errada, o sentimento deve ser mais ou menos como o de um escravo que teme pela própria vida quando desagrada ao seu senhor, ou que teme pelo mau humor de seu senhor, sem saber o que foi que o provocou. E é esse “Senhor” que nós pastores pregamos quando advertimos os crentes a sempre primeiro descobrirem “qual é a vontade de Deus”. É por causa desse “Deus que mete medo” que muitos irmãos e irmãs se apavoram, por exemplo, com a idéia de Jesus voltar e apanhá-los desprevenidos ou com algum pecado inconfesso – e como castigo não levá-los junto no arrebatamento, deixando-os aqui para vivenciar os horrores dos tempos do fim. É com esse Deus que os crentes precisam se acertar quando sentem que pecaram; é esse Deus que, desde nossa infância, “tudo escuta e tudo vê”, sabendo tudo o que pensamos e fazemos. O Evangelho A solução para o problema básico é a essência do evangelho, que por ser tão não-humana, é difícil para nossa alma acreditar. A boa notícia do evangelho é que, por causa da vinda de Jesus Cristo, finalmente nós podemos ser aceitos por Deus, nos reconciliar com Ele, de graça. A boa notícia é que Deus não está mais irado conosco: a ira já foi satisfeita nAquele que morreu em nosso lugar, e por isso Ele nos salvou, por meio da fé, sem qualquer pré-condição, simplesmente porque Ele é bom. Alegre-se, Deus não está mais descontente com você! Essa é a “maravilhosa graça”, maior que o meu pecar, que alivia a minha alma. A sua dívida já foi paga. Custou caro, mas foi paga, inteiramente. A Bíblia nos garante que “havendo Deus falado aos pais de muitas maneiras, agora nestes nossos dias Ele nos fala através do Filho” (Hb. 1). Falta Jesus àquela descrição do Deus que mete medo; aquela descrição é parcialmente verdadeira, porém bastante incompleta, e tornada velha desde que Deus em Jesus disse: “esse é o sangue da nova aliança que faço com vocês”. Jesus faz toda a diferença. Por causa dele Paulo pôde dizer que somos justificados pela fé, e por isso “temos paz com Deus”(Rm 5.1); que “antes éramos inimigos de Deus, mas agora em Cristo fomos reconciliados com Ele” (Rm 5.10) e que Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de Jesus ter morrido por nós sendo nós ainda pecadores(Rm 5.8). Ele só quer que acreditemos nisso que ele fez por nós. Em suma, a boa nova é que, por causa da vinda e da morte de Jesus, pecadores são aceitos por Deus; que, por causa do sacrifício de Jesus, nós passamos a fazer parte da família de Deus, adotados como filhos. Não somos mais escravos que precisam viver com medo de desagradar ao seu Senhor: somos filhos amados, que têm toda a certeza do seu amor, independentemente do que fazemos ou deixamos de fazer (Rm 8.15-17). Nas palavras de João, conhecemos o Deus que nos ama primeiro (I Jo 4.19), o mesmo “Deus que ama pecadores” de Paulo. Essa nova aliança não é mais do tipo: “se você obedecer, mandarei as bênçãos, se desobedecer, mandarei as maldições”. A nova aliança é o cumprimento da vontade de Deus, da salvação pela fé, expressa já em várias profecias do Velho Testamento, do tipo: “um dia eu tirarei os vossos pecados” (Jr 33) e “escreverei as minhas leis nos seus corações” (Jr 31.31). O terrível problema dos nossos pecados e da morte que eles trazem foi resolvido pelo amor de Deus: “Ele carregou sobre si as nossas enfermidades; pelas suas pisaduras fomos sarados; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Is 53). Essa é a boa notícia, o evangelho. A Vida na Corda Bamba Por incrível que pareça, essa maravilhosa salvação trazida pelo Messias Jesus Cristo não está sendo pregada aos crentes. Normalmente ela é pregada corretamente aos incrédulos (nos sermões ditos “evangelísticos”), mas não aos crentes. Nossa mensagem na Igreja tem sido mais ou menos assim: “venha a Cristo, Ele te aceita assim como você é;” e depois que o indivíduo atende o apelo, passamos a pregar sobre como o seguidor de Cristo deve viver, falar, se vestir, se comportar, e sobre o que falta em você “para Deus abençoá-lo”. Como resultado, muita gente nova vem às igrejas, mas poucos persistem, e menos ainda aumentam seu conhecimento de Deus, amadurecendo na fé. E os que permanecem correm sério risco de se neurotizar por causa dessa “dupla personalidade de Deus”: bom e amoroso para os incrédulos, mas severo, cheio de deveres e amedrontador para os que já crêem. A vida cristã mais parece a de um equilibrista na corda bamba, onde um escorregão pode ser fatal. Dizemos que “Deus perdoou todo o seu passado; mas daqui para a frente, cuidado para não pecar, para não tomar decisões fora da vontade de Deus, etc…” Conforme o diagnóstico de Paulo, parece que estamos começando pela graça e querendo acabar pela Lei (Gál. 3) Compare isso com o que diz Jesus: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados… e achareis descanso para vossas almas”. (Mt 11.28). O tom é bem diferente: é uma oferta, e não uma cobrança. Tente ver nos seus pacientes (e em você também): qual a imagem interna de Deus que eles têm? A de alguém que dá descanso, ou a de alguém que vive cobrando esforço? Temas Específicos Uma dificuldade adicional é que a irracionalidade daquele medo de Deus não costuma ceder facilmente. A Lilo (missionária da Casa da Esperança, Mondaí - SC) já me disse que essa mudança, para passar do medo de Deus para o amor a Deus é algo tão profundo que só o Espírito Santo pode efetuar. Se essa é a situação do seu paciente, você pode estar tendo o auxílio de um ótimo Assistente no processo terapêutico! Por causa desse enorme medo envolvido é possível que a mudança só possa acontecer em pequenas etapas, uma questãozinha por vez. Compartilho aqui algumas “ferramentas bíblicas” que me foram particularmente valiosas nesse mesmo processo de transformação, depois que, aos 17 anos de idade eu mesmo quase enlouqueci com uma “obsessão por não pecar”; são ensinos que fui aprendendo no seminário, na Bíblia e no convívio com cristãos de carne e osso – e alguns não-cristãos também – que foram instrumentos da graça de Deus: 1. Bíblia x tradição. Um primeiro recurso, que vai ser aceito até pelos obsessivos mais preocupados, é diferenciar “palavra de homens” de “palavra de Deus”, e num segundo estágio – para os irmãos neo-pentecostais – diferenciar “profecia trazida por meio de homens, servos de Deus” da “palavra inspirada pelo Espírito Santo, o texto bíblico, as Escrituras Sagradas” que, cfe. os últimos versículos de Apocalipse, não devem mais sofrer acréscimo, nem subtração. Todo pastor razoável admitirá que é um ser humano falível; se você perguntar amigavelmente, os pastores concordarão que seus sermões não são “Escritura Sagrada”, mas sim uma tentativa sincera e piedosa de explicar mensagens baseadas na Bíblia (portanto sujeita a erros, tanto quanto esta palestra). Já com os irmãos profetas pode ser um pouco mais difícil; infelizmente questionamentos não costumam ser bem vindos, e parte-se para um “tudo ou nada”: ou a pessoa é um “falso profeta” e 100% da mensagem está errada, ou é um arauto de Deus (e aí 100% estaria certo). A nosso favor temos um texto bem explícito: “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias, mas examinai todas as coisas [ponde tudo à prova]. Retende o que é bom.” I Ts 5.19-21, que serve igualmente a nossas profecias e a nossos sermões. “Examinar, pôr à prova” sugere que naquela profecia (ou sermão) há coisas boas e há também coisas ruins; em vez de obediência cega, Deus pede uma cautela respeitosa e com reservas: coisas ruins devem ser descartadas. 2. Aparência x Coração. Enquanto a “tradição” geralmente se ocupa do observável, do exterior, Deus quer o nosso coração, o interior (Mt 15.1-20; Mt 11.28 a 12.8) “misericórdia quero, e não sacrifícios”. E é no nosso coração que estão as provas irrefutáveis de nosso pecado e deficiência. 3. Qual é a vontade de Deus (= o que é que Deus mais quer = qual é o “primeiro de todos os mandamentos” - Mt 12.28): Amar a Deus de todo o coração; e amar ao próximo como a si mesmo (cp. Rm 13.8-10). Isso é mais importante do que todas as outras regras, como até o escriba chegou a perceber (Mc 12.28-34). 4. O exemplo a seguir: Jesus Cristo. Ninguém pode ser mais santo, mais espiritual, mais obediente, mais certo, mais consagrado, etc., etc. do que Jesus. Se Jesus fez alguma coisa, não pode estar errado. 5. Fé. No sacrifício de Jesus, o Messias; na graça e misericórdia do Deus que ama pecadores – Rm 5.8; Mt 7.7-11. Essa fé nos permite correr riscos. (diferentemente do “perdão somente dos pecados passados”, que nos leva àquela “vida na corda bamba”). Jesus foi chamado de comilão, beberrão, amigo de prostitutas e de funcionários corruptos; ele veio para os doentes, e correu o risco de ser confundido com eles. Paulo (I Co 9.19-22) correu o risco de pregar o evangelho da graça (Rm 3.8 – foi caluniado). “Forte na fé” é aquele que realmente acredita que o sacrifício de Cristo foi e é suficiente para salvá-lo, para torná-lo aceitável a Deus. Os “fracos na fé” são os que, além de crer em Cristo, crêem também na necessidade de observar algumas regrinhas – e correm o risco de deixar de crer em Cristo (=escandalizar-se) se as regras forem quebradas – Rm 14 (naquela época, não comer carne oferecida aos ídolos, guardar o Sábado, circuncisão; na geração passada, não beber cerveja, não dançar, não fumar; e hoje?) Veja também Colossenses 2.20-23. Crendo na eficácia do sacrifício de Cristo (isto significa: sabendo que todos os meus pecados foram pagos), posso continuar “em paz” quanto aos meus próprios erros e pecados. Eu assumo que preciso – e sempre precisarei – de um Salvador; reconheço-me doente e não são, e assim recebo a visita salvadora do médico Jesus. Por . Deus já sabia de todos os nossos pecados – e bem por isso enviou Jesus para morrer em nosso lugar. 6. Santificação (Colossenses 2.8 a 3.11). Duas naturezas co-existentes até a volta de Cristo ou até nossa morte. Sempre seremos santos e pecadores (como já dizia Lutero). Bons, mas com maldade também. Até a nossa morte, “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”(I João 1.8). Aos 95 anos de idade ainda seremos pecadores, sempre necessitando de misericórdia e de um Salvador. E também teremos o Espírito Santo, nossa nova natureza. A vida aqui na terra, portanto, acaba sendo uma questão de a qual natureza damos mais atenção: viver tentando não errar (que é frustrante), ou, liberto pelo pagamento feito pelos nossos erros, dedicar-se a viver tentando acertar. Creio que é exatamente essa a mensagem da parábola dos talentos – o servo que tinha medo do seu Senhor não podia correr o risco de errar, por isso enterrou o seu talento (Mt 25.14). 7. Do Medo ao amor - I João 4.16-19. “se alguém teme, ainda não está aperfeiçoado no amor… o perfeito amor lança fora o medo”. É o perfeito amor de Deus que operará essa mudança, que convencerá o cristão que, ao contrário do que ele sente, ele não é um escravo que não pode desagradar ao seu Senhor, mas sim um filho adotado com todo o amor (Rm 8.15-17). O Espírito Santo desenvolve dentro de nós esse sentimento de confiança filial (”Aba, Pai”, cuja tradução seria a forma como uma criancinha chama seu pai (paiêêê!). 8. Pessoalidade “(Jesus) havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13.1). “Isto é o meu corpo, que é dado por vós” (Lc 22.19) “Jesus [na cruz] vendo ali a sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” (Jo 19.26,27). Deus está interessado em pessoas, não em planos. A aliança dele é feita com gente, mais do que com conceitos, princípios ou idéias. Jesus não morreu por causa de planos, mas por causa de pessoas, dos seus discípulos, você, eu e todos os outros. 9. Crescimento “na graça e no conhecimento de Deus” – atitude básica de fé perante nossa vida concreta, aceitando as dificuldades e revéses, vendo (e participando de) o processo de Deus moldar nosso caráter. Apesar da salvação ser exclusivamente por fé, sabemos que aqueles que entrarão no Reino de Deus (Mt 25) serão misericordiosos, espontâneos e autênticos. Isso provavelmente explica muitos acontecimentos difíceis em nossas vidas. 10. Crescendo na esperança – a certeza do fato da ressurreição e da volta de Cristo – isso é verdade e não fuga. Por conta dessa perfeição no céu, podemos nos fortalecer e nos conscientizarmos de que vamos sempre conviver com muitas “imperfeições” aqui na terra. Isso vale para igreja, casamento, auto-realização, saúde, economia e, também, psicoterapia… Se houver um mínimo de abertura, podemos lembrar nosso pacientes da “doutrina da falibilidade pastoral” (apesar da unção), caminho para a libertação do ideal de “super-homem”. Em contrapartida, o respeito ao pastor, apesar das suas falhas: estamos aprendendo a aceitar a mistura de joio e trigo na vida, a convivência da natureza justa com a pecadora, também em nós mesmos. 11. O tom da Bíblia. Texto escrito não tem entonação: ela é dada pelo coração do leitor (ou do pregador). Considerar as recomendações bíblicas menos como proibições de um deus irado, e mais como bons conselhos de um amigo que sabe das coisas e conhece os caminhos. (sobre “usos e costumes”, ver também o livro: O que a Bíblia permite e a Igreja proíbe – Ricardo Gondim). Uma questão derivada: a consciência pesada pode ser uma “consciência doente”, e não a voz do Espírito Santo; nossa consciência é tão falha quanto nossas emoções; somente Deus é que “sabe todas as coisas” – I João 3.20,21. Há muito mais temas e textos, e mais ainda são os que eu não domino. Não pus aqui todas as referências bíblicas utilizadas, para não truncar demais a leitura. Fico à disposição, no que puder, para outros questionamentos, porque creio que vale à pena investigar a fundo essa questão da imagem de Deus que temos, que é a própria essência do evangelho (precisamos aprender a receber o Reino de Deus como uma criança). As novas são boas, e eu, você e nossos pacientes precisamos delas. ——————————————————————————– Karl Kepler, pastor e psicólogo em São Paulo, vice-presidente de publicações do CPPC - E-mail: kkepler@sti.com.br; fone: (11) 4136-1793.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Os pecados da mídia

Se há assunto sobre o qual se lê, ouve ou vê muito pouco são as críticas à mídia. Este é o calcanhar de Aquiles da imprensa moderna – ou, melhor dizendo, da mídia, pois já faz tempo que a indústria da informação não se limita ao equipamento inventado por Gutenberg e em razão do qual estamos festejando um bicentenário, no Brasil.

Têm relativa sorte, os donos da mídia, de que os maiores inimigos da sua liberdade são os econômica e politicamente poderosos – que desejam calar os seus veículos para poderem melhor exercitar seus desmandos e falcatruas sem serem denunciados. Nesses embates, restam poucas dúvidas sobre com que lado está a razão ou a justiça. Liberdade de expressão em todo o mundo e – em particular – no Brasil, significa quase exclusivamente liberdade de expressão para a imprensa, ou a mídia.

E, no entanto, até mesmo nos veículos mais liberais – não lhes citarei os nomes, mas são os principais jornais e revistas do país – são raríssimas as cartas contendo críticas dos leitores que passam pelo crivo da redação e chegam a ser publicadas...

Mas, do que se acusa a mídia? De diversas coisas: algumas delas são digressões de intelectuais marxistas tardios e desavisados, mas algumas são sérias. Há grandes probabilidades de que você não tenha lido nada na imprensa (claro!) a respeito de três livros publicados este ano – em inglês – no Canadá, EUA e Inglaterra e que devem estar ainda longe de ser traduzidos e lançados no Brasil.

São: 
Risk: The science and politics of fear (Risco: A ciência e a política do medo) de Dan Gardner; Panicology de Simon Briscoe e Hugh Aldersey-Williams e Flat Earth News: An Award-Winning Reporter Exposes Falsewood, Distortion and Propaganda in the Global Media (Notícias da Terra Plana: Um repórter premiado denuncia as falsidades, distorções e a propaganda na Mídia Global) de Nick Davies.

O primeiro expõe a curiosa tese de que a humanidade nunca teve tanta saúde e segurança e, no entanto, vive atormentada por um medo irracional e crescente, que tem conseqüências fatais, como as 1.595 pessoas que morreram em acidentes automobilísticos, nos EUA, por evitar viagens aéreas de medo de serem alvos de atentados terroristas.

O segundo mostra como são, muitas vezes, baseadas em estatísticas ridículas, espúrias e até mentirosas, as calamidades com que a imprensa bombardeia as pessoas – na Inglaterra – sobre vacinas, o medo de ficar gordo e morrer antes da hora, de que as grandes empresas engulam seu negócio, da gripe aviária... O simples risco de estar vivo é cada vez mais alarmante.

Finalmente, o autor do terceiro foi um jornalista premiado que desistiu da profissão e acusa os veículos de querer transformar a população em uma massa de ignorantes, divulgando notícias sensacionalistas e mentirosas e plantando ficções distribuídas pela CIA...

Artilharia pesada, talvez nem sempre judiciosa ou imparcial. Mas certamente seria mais saudável que todos tivessem mais acesso às críticas a quem detém a liberdade para criticar – mesmo legítima.

Fonte:
Pavablog
J. Roberto Whitaker Penteado, no jornal Propaganda & Marketing.

domingo, 5 de outubro de 2008

Deus incomoda

 

Para uns, Deus é uma força cósmica, uma energia poderosa e inexplicável, que emana suas radiações dos confins do Universo.

Para outros, Deus criou o mundo, mas hoje está inoperante por não ter impedido que coisas ruins acontecessem, como o Holocausto, o 11 de setembro e a tsunami destruidora na Ásia.

 

Ainda para alguns, Deus é um ser castrador, que inventou mandamentos, regras e proibições para impedir que gozemos tudo o que há de bom na vida. Já em outro extremo, há os que vêm em Deus uma divindade  tão amorosa que Ele não faz conta de nossos erros, tropeços e pecados... é enfim, um “deus bonzinho”, que lá no Antigo Testamento foi severo, mas agora se arrependeu.

 

Não é difícil perceber que, embora desconheçam da natureza e do caráter divino narrados nas Escrituras, as pessoas estão em busca de uma espiritualidade – qualquer uma – para fruir de suas bênçãos e benesses, mas nem sempre desejam Aquele que originaram elas. O povo tem fome de que? Certamente não é do “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, e nem tampouco de Jesus de Nazaré.

 

Em primeiro lugar, o povo busca sensações prazerosas. Por isso a avaliação que fazem de nossas reuniões de fé sempre se dá no campo estético: “gostei”, “bonita apresentação”, “bela mensagem”. Ou ainda no campo da sensação: “senti uma coisa gostosa ali”.  Sem dúvida que a presença divina pode proporcionar tudo isso, mas um verdadeiro encontro com o Eterno não fica só na sensação: a vida inteira é tocada.

É duvidoso afirmar que a maioria das pessoas que procuram uma instituição religiosa ou o auxílio de um pastor, estejam de fato buscando um Deus que reine em suas vidas, que controle seu humor, dirija seus sonhos,  e conceda-lhes uma virada existencial. Não! Desde que a igreja atenda alguns de seus problemas pontuais, está tudo bem, e isso por vezes independentemente de qualquer fé em Deus.

 

Quando vejo nas manhãs frias de domingo igrejas repletas de fiéis, braços levantados, entoando cânticos de vitória, custa-me crer que estejam de fato buscando ao Deus Trino, Santo e Soberano. Vamos comprovar? Eliminem-se as promessas de cura, de emprego, e de resolução de problemas.... e aquele local se esvaziará.  Experimente-se num espaço de grande aglomeração de fé alterar o cardápio que será oferecido à multidão, e ao invés de um “encontro de milagres” promova-se ali um estudo profundo da Epístola de Tiago e uma palestra com o tema “Santidade ao Senhor”, e constataremos que todo interesse desaparecerá. Não, não é a Deus que buscam.

Na verdade, poucos querem Deus, pois Deus incomoda.  Ele nunca nos dá nenhuma certeza, a não ser Suas promessas  escritas num livro com mais de dois mil anos. Não há apólices, contratos ou qualquer outra segurança que seja visível ou palpável. Neste mundo moderno as pessoas não querem incertezas ou riscos.

 

Como Eugene Peterson observou, Deus incomoda porque esperamos que Ele resolva nossos problemas de caráter e de vícios de forma rápida e indolor. Mas Ele insiste num “programa de recuperação” lenta e gradual.

Deus incomoda porque Ele destrói nossas ilusões religiosas mais sublimes.  Foi assim com o povo que seguia a Jesus porque “tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2), mas quando o Mestre começou a mostrar a outra face do Reino essas pessoas abandonaram a fé e já não andavam com Ele. Até os próprios discípulos também foram confrontados: ”Quereis também vós retirar-vos?” (Jo 6.67). Em outras palavras: o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada está iludindo a si mesmo e enganando a Igreja, pois quem os observa presume que este iludido seja um cristão. E não é! (Lloyd-Jones).

 

As pessoas não se sentem confortáveis com Deus em suas vidas. Elas preferem algo menos temível, como por exemplo, serem simpatizantes da fé e freqüentadoras dos cultos. Por quê? Simples: Deus incomoda, perscruta, atinge, inquire, confronta nossos valores, provoca crise, altera nossa rotina, retira todas as nossas seguranças, substitui o reinado do ego para construir em nós o Seu reino, pede que eu me esvazie, e me “envia” ainda que eu não me ache preparado ou capaz.....

 

Definitivamente é perigoso envolver-se com Deus.


Fonte: Blog Frenesy

sábado, 4 de outubro de 2008

A história em tempo real


E agora, José?
A festa acabou,a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

Por favor, toda atenção! Não me refiro ao que vou escrever. Precisamos acompanhar o desenrolar da história. Chegamos a uma dessas esquinas principais, onde a humanidade vai dar uma guinada que marcará o futuro para sempre. Não perca nenhum capítulo!

A crise financeira, a quebradeira dos bancos, a queda das bolsas, o enfraquecimento do dólar, não são acontecimentos pontuais e passageiros, facilmente contornáveis com uma intervenção. Testemunhamos outra realidade: o fracasso das políticas neoliberais que perdem força e já não conseguem continuar na superfície das águas tumultuadas da especulação financeira.
Assistimos ao começo do fim do império econômico da minúscula Wall Street; o fim do ufanismo estadunidense; e a vingança da Europa pós-guerra, unida agora pelo "mighty” euro. O trilhão e cem bilhões gastos no Iraque vão fazer falta no esforço de resgatar o sistema bancário do Tio Sam.
Atentemos para o dia a dia. E nos preparemos para tempos difíceis. Enfrentaremos uma recessão brutal, com desemprego em massa devido a falta de liquidez dos mercados. A festança capitalista minguou. A soberba da Grande Potência, endividada até o último fio de cabelo, será abatida. (aconselho aos emigrantes, que foram em busca de um Shangrilá, voltem, é melhor passar necessidade em casa, perto da família).
O mundo nunca mais será o mesmo. A economia capitalista bateu no fundo do poço. Desabou o último mito da modernidade. Um evangélico, que se gabava de buscar a sabedoria divina, presidiu a mais devastadora crise econômica desde a Grande Depressão de 1929. George W.
Bush entrará para a história como um líder incompetente. Além de beligerante, não coibiu a volúpia dos especuladores ávidos por dinheiro fácil. Mais uma vez, a grande Babilônia, que não tem escrúpulos de negociar com a alma dos homens, rasteja endoidecida.
Acompanhemos o noticiário com interesse dobrado. Somos testemunhas oculares de um marco importantíssimo da história. Só não nos esqueçamos de lamentar e chorar. Além de triste, mais uma vez os pobres pagarão o pesado da conta.
Soli Deo Gloria.